quinta-feira, dezembro 11, 2008

a ver navios 50


navegando num mar de luz
vai um Cacilheiro no Tejo
sem os óculos não o vejo;
onde será que eu os pus?

ah! Já vejo - é o "PALMELENSE"
que segue vazio, sem passageiros;
é igualzinho a outro dos Cacilheiros,
irmãos deste - o "SEIXALENSE".

quarta-feira, dezembro 10, 2008

talvez ficar


como estou aqui
na beira-rio
ao sol da manhã:
- espero a mudança
da maré!

sozinho, calado,
sentado ao sol
armazem de calor:
- espero a sombra
dos dias!

aquecido por fora
em fogo brando
requentado por dentro:
- espero pelo fim
do dia!

vou ficar talvez,
olhos fechados
pensamento parado:
- espero que passe
a vontade!

a vontade
de sair desta terra
para outro lugar
para outro mar
para longe
fugir daqui:
- pois, mas para quê,
fugir, de quê?
de mim... não consigo fugir assim.

terça-feira, dezembro 09, 2008

segunda-feira, dezembro 08, 2008

a fonte 313


Vinte do Nove de Mil Novecentos e Sessenta e Quatro, noves fora, quatro.
Que podemos acrescentar a esta obra?
Que tem pouca utilidade, porque a "Água imprópria para beber".
Que é uma perfeita apologia ao gosto do dono, fruto da falta de jeito ou falta de sentido estético ou falta de orientação ou falta de interesse da hierarquia, que encomendou o trabalhinho ao pacato cantoneiro da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia.
Já sei, vão-me dizer:
«Criticar é fácil! Fosses lá tu, a ver se fazias melhor!»,
Pois eu, afirmo e garanto,
«Tenho a certeza que eu fazia bem melhor!!!»
E alguém vai dizer mal deste blog e chamar-me nomes impróprios, porque não acaba aqui, a série das fontes do lugar de "Covas-do-Ferro", em Almargem do Bispo.


sábado, dezembro 06, 2008

a ver navios 49


À tardinha, no cais do Ginjal de Cacilhas,
vamos a uma "Caldeirada à Fragateira"...

na base, dizem que tem:
tomate, cebola e batata,
tudo cortado às rodelas,
em camadas sobrepostas
e de maneira alternada,
a cobrir o fundo do tacho
pode-se refogue em banha
e de seguida, o principal:
em cima dispôr o peixe,
peixe diverso, em postas
ou cortado aos bocados
tamboril, congro ou safio
enguia, anchova e raia
e atenção tomar cuidado
ao veneno do peixe-aranha
para dar gosto, pode ser
apenas uma sardinha,
mas nunca, usar taínha;
antigamente era berbigão,
hoje, ameijoas e camarão;
para bem temperar:
regar com vinho branco
e deitar um fio de azeite
e sal, apenas uma colher
uma pitada de colorau
o bastante para dar cor
algumas folhas de louro
e um raminho de salsa
uns pozinhos de pimenta
havia mais umas coisas,

para compôr esta poesia,
alem de pôr a coisa a rimar
mas, ao fim e ao cabo, isto é
"uma caldeirada à maneira!"
vamos a ela que se faz tarde
antes que o prato arrefeça;
o resto, fica para outra vez.
É isso mesmo que eu acho.

Amanhecer CXLVII


Um belo dia cinzento de Outono/Inverno.
Tempo de recordar, mas o quê e para quê?
Uma maravilha, o pensamento humano, que me permite estar aqui a - olhar, ouvir, cheirar - gozar tão simplesmente, este momento, abstraindo-me de tudo o mais, da porcaria de mundo que nos rodeia.
Aos poucos, fomo-nos deixando aprisionar na teia imensa com que esta sociedade, que ajudamos a construir, nos procura envolver. Cercados por todos os lados, não há escape físico possível - a única fuga é a do pensamento:
«Pensando em algo de muito diferente da realidade(1), ou, desligando simplesmente o pensamento!»

(1)
"Realidade", o que é, ou, é o quê, a realidade? Não sabemos bem...

sexta-feira, dezembro 05, 2008

a Fonte 312


Um conjunto de elementos arquitecturais encaixados de qualquer maneira numa parede;
uma amálgama de peças (sem pés nem cabeça) que não se parece com coisa nenhuma - muito menos com uma fonte - a condizer com o meu estado interior, que é, completamente desconjuntado.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

fora de mim


algures, dentro de mim,
estou eu,
escondido,
na sombra das emoções,
procuro-me,
perdido,
na floresta dos sentidos;
a ver se me encontro,
revejo todos os reflexos,
do interior;
parado no meu espaço,
fora do tempo,
olhando para fora de mim;
não quero mais sair,
inseguro de mim,
receio tropeçar,
enganado pelos sentidos.
fechado em mim,
receio cair,
no fundo, dentro de mim;
ao cair em mim
num lugar cá dentro
o confronto inevitável,
comigo mesmo,
será insuportável;
um de nós vai sair:
ou eu desisto de mim,
ou o meu eu vai
pôr-me fora de mim.

(sem dúvida... hoje só pode ser quinta-feira)

quarta-feira, dezembro 03, 2008

a Fonte 311


- Não parece nada uma fonte.!?

Pois, ninguém diria, mas olhem que, fazendo fé naquilo que me costumam dizer há montes de anos, «Este gajo cada vez que mija tem uma ideia!», somos levados a deduzir que deve existir por aqui uma misteriosa fonte de inspiração... ou não?

terça-feira, dezembro 02, 2008

a ver navios 48


Sempre indeciso nesta vida,
Desde a chegada à partida.
Não sei se fique, ou se vá...
Se for embora, não fico cá.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

a Fonte 310


"Fonte Nova" (Olivença)

Neste dia da "Restauração", até fica bem lembrar a nossa Olivença, que afinal parece que é dos espanhóis.
Olivenza - para eles - parei lá no outro dia, para matar a sede, não com água desta fonte (porque não presta para beber) mas sim com uma "canha" de cerveja fresquinha e umas azeitonas de Elvas para acompanhar.

Olivença - Portugal-Espanha-Inglaterra - Gibraltar, esquemas esquisitos nesta Europa Comunitária.


Amanhecer DCXL

Praia das Maçãs, Sintra Por vezes, parece que é o fim, mas entretanto, ao despertar, abrimos os olhos e... a vida continua!