domingo, novembro 30, 2008

noite a fingir


"LA NUIT AMÉRICAINE"
(François Trufaut, 1973)

A cena final do filme demonstrava o método "noite americana" utilizado em técnica cinematográfica - fotografar as cenas à luz do claro dia e escurecer a imagem posteriormente através de tratamento no laboratório de montagem.
Como o exemplo desta foto, tirada às 3 da tarde de um belo dia de sol num claro ceu azul sem uma sombra de nuvem.
(Cristo Rei, em Almada, na passada quinta-feira)

sábado, novembro 29, 2008

Amanhecer CXLVI


Uma concentração de aves aquáticas, aproveitando um intervalo de sol, na manhã chuvosa de Sábado, à beira do Tejo.

Eu, costumo chamar-lhes "Andorinhas-do-Mar". Não sei se é esse o nome comum desta espécie que vive por aí, em bandos, à beira-mar, debicando na areia e nas poças de água, pequenos insectos e não sei que mais.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Autoretrato 30


Obscuras transmutações,
sentidas talvez só no íntimo dos sentimentos abstractos, se operam, se sentem sem que se sintam porque sem sentir o tempo se sentiu.

Na vasta colónia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente.
«Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos.»
Isto no parecer de Bernardo Soares, um ajudante de guarda-livros, em Lisboa, que acrescentou ainda:
Tenho por intuição que para as criaturas como eu nenhuma circunstância material pode ser propícia, nenhum caso da vida ter uma solução favorável. Se já por outras razões me afasto da vida, esta contribui também para que eu me afaste.
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Aquelas somas de factos que, para os homens vulgares, inevitabilizariam o êxito, têm, quando me dizem respeito, um outro resultado qualquer, inesperado e adverso.
Nasce-me, às vezes, desta constatação, uma impressão dolorosa de inimizade divina.
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Parece-me que só por um ajeitar consciente dos factos, de modo a que me sejam maléficos, a série de desastres, que define a minha vida, me poderia ter acontecido.
Sei de sobra que o meu maior esforço não logra o conseguimento que noutros teria. Por isso me abandono à sorte, sem esperar muito dela. Não sei até que ponto consigo qualquer coisa. Não sei até que ponto qualquer coisa se pode conseguir...
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Onde um outro venceria, não pelo seu esforço, mas por uma inevitabilidade das coisas, eu nem por essa inevitabilidade, nem por esse esforço, venço ou venceria.

quinta-feira, novembro 27, 2008

nas alturas


“Os meus hábitos são da solidão, e não dos homens.”
Não sei se foi Rousseau, quem disse isto, mas tem tudo a ver com esta imagem do alto da serra:

A solidão, o isolamento, a distância dos hábitos humanos, que os eremitas buscavam nas paragens mais inóspitas, como esta no cimo de uma agreste montanha, favorecia a meditação e a comunicação com Deus.

Mais longe dos homens, mais perto do céu, mais próximo de Deus.

Partilhando o mesmo espaço, hoje, são as antenas de rádio e televisão que elegem o cume dos altos montes como lugar privilegiado para combater a solidão, através do favorecimento das comunicações à distância entre os homens.

a Fonte 310


(Fonte dos Amores, numa aldeia do Oeste, do Montejunto)

Acorriam os namorados
A chorar seus desamores
De vidas desencontradas
E afogavam suas mágoas
Na frescura destas águas
Essas almas apaixonadas
Lamentando suas dores
Vindos de todos os lados

quarta-feira, novembro 26, 2008

a Fonte 309


Porque será que o pessoal de "A-dos-Cãos"
manifesta uma tão grande admiração pelo Rei dos Mares, a pontos de lhe dedicar duas fontes - esta, a segunda e a outra, "a fonte 285" - «coitado do Neptuno, ele merecia uma coisa destas...».

Vazio


Vazio é o espaço a três dimensões, sem o tempo.


Tudo o que foi, não mais existe; ou existe exactamente tanto quanto aquilo que nunca foi. Mas tudo o que existe, no próximo momento, já foi - ou já era.
Por consequência, qualquer coisa pertencente ao presente, independentemente de quão fútil possa ser, neste momento, é superior a algo importante pertencente ao passado; ou seja, «o presente, por muito insignificante que possa parecer, é sempre mais importante que qualquer passado».
Isto porque o primeiro é uma realidade (existe) e por isso, está para o segundo (já foi) como algo está para nada; e a razão entre algo e nada é alguma coisa infinitamente grande ou infinitamente pequena.

terça-feira, novembro 25, 2008

a ver navios 47


Adeus, Lisboa

Vou-me até à Outra Banda
no barquinho da carreira.
Faz que anda mas não anda;
parece de brincadeira.
Planta-se o homem no leme.
Tudo ginga, range e treme.
Bufa o vapor na caldeira.
Um menino solta um grito;
assustou-se com o apito
do barquinho da carreira.
Todo ancho, tremelica
como um boneco de corda.
Nem sei se vai ou se fica.
Só se vê que tremelica
e oscila de borda a borda.


(António Gedeão)

a Fonte 308


Ora cá está mais outra, daquelas tais...
as tradicionais fontes de "ÁGUA IMPRÓPRIA PARA CONSUMO."

(Lugar de "Covas do Ferro", Almargem do Bispo, Sintra)

segunda-feira, novembro 24, 2008

Ogivas


Hoje, quando se fala em Ogivas, pensamos de imediato na parte do projetil balístico que contém elementos (sistemas nucleares ou termonucleares) potencialmente causadores de destruição em massa, quer dizer, em grande escala.
Há muitos séculos atrás, porém, as Ogivas eram outras e serviam de componentes fundamentais da Arquitectura Gótica, como é o caso desta imagem com dois arcos ogivais de uma janela gótica, à qual certamente se assomaram algumas vezes as reais figuras de Portugal, D. Dinis, D. Fernando, D. João I e D. Duarte, que fizeram de Alenquer a sua residência real.
Desde a sua construção (entre 1222 e 1355), estas janelas com vista para o Claustro do Convento de São Francisco, suportaram três terremotos: 1531, 1755 e 1969.
É provável que venham a resistir ao próximo, que seguindo a lógica aritmética terá lugar em [1297 + 234 => 1531 + 224 => 1755 + 214 => 1969 + 204 =>] 2173, isto se até lá não forem arrasdos por alguma Ogiva Nuclear..!

domingo, novembro 23, 2008

a ver navios 46


O "Svitzer Leixões" num dia festivo, todo embandeirado-em-arco (com galhardetes, bandeiras e cometas) talvez por ter ajudado a rebocar pela última vez, o "Queen Elizabeth II" na entrada do estuário do Tejo.

Amanhecer DCXL

Praia das Maçãs, Sintra Por vezes, parece que é o fim, mas entretanto, ao despertar, abrimos os olhos e... a vida continua!