quinta-feira, novembro 06, 2008

a Fonte 298


No largo principal
da Vila de Caneças
esta fonte original
à imaginação pede meças


quarta-feira, novembro 05, 2008

Abandonados


Um Cristo de metal dourado,
de braços abertos para o céu,
jaz semi-nu, liberto da cruz,
no chão, por ali, deitado
sobre a areia de uma campa-rasa,
sem nome, sem dono,
sem lápide, nem epitáfio:
"Recordação de eterna saudade
de todos os seus entes
queridos que deixou por cá..."
ao abandono,
isento da sombra da jarra sem flores,
que já lá não está,
refulge aos raios da luz
de um Sol de Inverno,
reflexos de mil cores,
alegram o triste dia de Finados.
Muito a custo, saiu de casa,
para cruzar as ruas da cidade,
- o trânsito é um inferno -
a velhinha, apoiada na bengala,
a cabeça coberta com um véu,
vem rezar diante do cenotáfio
dos Heróis Combatentes
que nunca foram sepultados.
Um pequeno cravo encarnado
que traz dentro dentro da mala
- colhido de manhãzinha no canteiro
da varanda - é uma lembrança,
uma homenagem ao seu amado,
que nunca será esquecido;
velho amigo e companheiro,
há muito anos desaparecido
lá longe na guerra de França.

(impressões de visita ao cemitério no dia dos Fiéis Defuntos)

a Fonte 297


"Fonte das Avencas", (Amadora)

Ainda não há muito tempo a água desta nascente,era "encopada" para comercializar.
Encontrava-se em poucos supermercados, cafés e restaurantes, mas era mesmo assim como eu digo. Não se vendiam garrafas mas sim copos com esta água. Copos de plástico devidamente selados, à semelhança de alguns iogurtes, eram o continente preferencial para a água pura desta nascente.
Este lugar, ficava bem distante da Porcalhota da minha adolescência, mesmo nos limites da Amadora, para além da Pedreira do Metropolitano da Serra da Mina.
A "penantes" era empreendimento para meio dia, por isso, nós - putos - passávamos por lá muito raramente, e sempre na época das "chinchadas" de Verão - menos para matar a sede - mais para apanhar Ginjas e fugir escorraçados pelas "pedradas" do guarda das instalações.

terça-feira, novembro 04, 2008

Dormir


Passou a tarde, chegou a noite,
acabou o dia.
Estou na mesma,
desde manhã, sem nada para dizer...

Nada faz com que eu me afoite
a sair da apatia,
pareço uma lesma.
Contra isto, não há nada a fazer...


(Dormir. Amanhã, ou logo, logo se vê..?)

a ver navios 42


Fartei-me de olhar
para esta fotografia
a ver se conseguia
uma história inventar

Tudo o que eu queria
era ter o que contar
conseguir congeminar
pelo menos uma poesia

É falta de imaginação
estou lixado do juízo
agora o que é preciso
é encontrar inspiração


(pois é... vou procurar para outro sítio)

segunda-feira, novembro 03, 2008

a Fonte 296



Um típico zingarelho de ferro forjado nas fábricas de S. João da Madeira,
este aqui montado sobre a cúpula do reservatório de água da Real Fábrica de Gelo de Montejunto.

Autoretrato 29


Uma imagem volátil, um reflexo fugaz,
captado (na porta duma Capela do Convento de S. Francisco de Alenquer) num instante de breve paragem na minha caminhada pela vida, em busca de mim.

E continuando por esse mundo fora, a ver se me encontro, vou deparando com imagens de mim enquanto procuro a minha imagem - a minha verdadeira imagem, a que não se vê por fora.

domingo, novembro 02, 2008

a Fonte 295



Numa bela tarde de Outono, em passeio através da zona histórica da linda "vila-presépio" de Alenquer, encontrei esta original, chafariz, obra municipal.

sábado, novembro 01, 2008

Amanhecer CXLII


Madruguei hoje e encontrei-me, por acaso, com o Sol nascente.

Este reflexo - aquece até a alma - promete um belo dia para uma voltinha saloia, um pouco em memória dos meus "finados".
Vou cheirar o ar fresco, mais limpo, de algumas aldeias do Oeste e tentar reencontrar os aromas que a minha memória guardou, daqueles mesmos lugares noutros tempos, nos dias felizes da minha infância.

sexta-feira, outubro 31, 2008

a Fonte 294


E cá vamos nós, amigos, com todo o prazer, deambulando pelas paisagens alentejanas.
Ao passar no Alandroal (terra de muitos "alandros", seja lá o que isso for) encontramos Luís de Camões:

Na mesma guerra vê, que presas ganha
Est´outro capitão de pouca gente;
Comendadores vence e o gado apanha.
Que levam roubado ousadamente
Outra vez vê que a lança em sangue banha
Deste só por livrar c´o amor ardente
O preso amigo, preso por leal
Pêro Rodrigues é do Landroal!!!

(Canto Oitavo de "Os Lusíadas")

a ver navios 41


Janela do Forte de Caxias
Que vigia a barra do Tejo.
Aqui desfilam todos os dias
Grandes navios em cortejo.

Aqui estou eu meus senhores
A ver passar nesta janela
Os navios de contentores
Que farão Lisboa mais bela.

Dizem que são trezentos mil,
E vão passar para um milhão.
Mas a esta proposta tão vil,
O povo de Lisboa diz: NÃO!

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...