sexta-feira, outubro 31, 2008

a Fonte 294


E cá vamos nós, amigos, com todo o prazer, deambulando pelas paisagens alentejanas.
Ao passar no Alandroal (terra de muitos "alandros", seja lá o que isso for) encontramos Luís de Camões:

Na mesma guerra vê, que presas ganha
Est´outro capitão de pouca gente;
Comendadores vence e o gado apanha.
Que levam roubado ousadamente
Outra vez vê que a lança em sangue banha
Deste só por livrar c´o amor ardente
O preso amigo, preso por leal
Pêro Rodrigues é do Landroal!!!

(Canto Oitavo de "Os Lusíadas")

a ver navios 41


Janela do Forte de Caxias
Que vigia a barra do Tejo.
Aqui desfilam todos os dias
Grandes navios em cortejo.

Aqui estou eu meus senhores
A ver passar nesta janela
Os navios de contentores
Que farão Lisboa mais bela.

Dizem que são trezentos mil,
E vão passar para um milhão.
Mas a esta proposta tão vil,
O povo de Lisboa diz: NÃO!

quinta-feira, outubro 30, 2008

a Fonte 293


(Fonte erguida sobre anterior construção Romana, Torrão do Alentejo)
Bocacio Lusitano

En la empreza amorosa
De bella humana Diosa
Te constituye el hado Soberano
Alson de acorde Lyra
Adonde siempre en vano
Tu coraçon suspira
Viviendo de vanissimos amores
Moriste de dexarlos com dolores.
O´Bernardin feliz! Feliz tu suerte
Que un morir largo te atajo la muerte.


(dedicado a Bernardim, por Manoel de Faria e Sousa, poeta seiscentista)

Suspiros de Bernardim


«Bernardim, depois de ter estudado Jurisprudencia em que sahio insigne, cultivou a Poetica com tanto applauso do seu nome, que mereceo as estimaçoens do Princepe desta divina Arte o divino Camoens chamando-lhe o seu Enio, sendo o primeiro que em toda Espanha compoz Sextinas em Redondilhas, e as Elegias em versos menores.

Arrebatado de impulsos amorosos passava muitas noutes entre a espessura, e solidaõ dos bosques explicando junto à corrente das aguas com suspiros, e lagrimas a vehemencia de paixaõ taõ violenta que o obrigou a emprender impossiveis dedicando os seus affectos à Infanta D. Beatriz filha do Serenissimo Rey D. Manoel.»

Certa noite, numa das minhas viagens de solitário, passei pelo Torrão e parei por uns momentos, aqui ao pé da ponte onde se encontra esta Capelinha e uma Fonte. Talvez quisesse escutar os murmúrios e suspiros de paixão, das cantigas de engate, do Bernardim, aqui à beira do rio da sua terra natal.

Mas não consegui ouvir mais nada senão o enorme fragor das águas do Xarrama a embater e a galgar os grandes rochedos polidos que ocupam todo o leito do rio no declive até junto à curva da ponte. Sozinho ali, no escuro, não fiquei muito tempo, pois confesso que era um bocado assustador o ressoar daquelas águas que eu não conseguia ver. Levava muita força a enxurrada, resultado de muita chuva na véspera.

quarta-feira, outubro 29, 2008

a Fonte 292


Não pensem que acabou...
Mais outra fonte foleira,
Que a objectiva captou.
Chama-se Fonte da Eira.

Penso Rapido (6)



«Há um caminho para a felicidade:
não nos preocuparmos com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade.»

(Ou, "não nos apoquentarmos com aquilo que está fora do nosso alcane", é o que dizem os escritos de filósofos helénicos como Epictetus e Epicuro e também a "Fábula da Raposa e as Uvas", de La Fontaine.)

Ora, foi com base neste princípio, que eu meti a viola no saco.
Quando digo isto, é mesmo verdade, não se trata de uma figura de estilo para estender o texto. Sim, definitivamente, arrumei o instrumento e pus de lado a intenção de aprender a tocar viola. Ao cabo de uns quantos meses de tentativas de autodidacta, fui-me sentindo cada vez mais frustado - já não tenho dúvida, sou incapaz.
Pois claro, se burro velho não aprende línguas, como é que vai aprender música?
Que se lixe, fico-me por aqui, contento-me em dar música ao pessoal, no Blog!

terça-feira, outubro 28, 2008

a Fonte 291


Excertos de um artigo de jornal publicado em 1983.

«Treze aldeias compõem a segunda freguesia mais rica do País - Almargem do Bispo.
As aldeias acordam de madrugada, para mugido o gado e colher da terra feteira os legumes que abastecem os mercados de Lisboa.
As hortaliças compram-se directamente nas hortas. Nos lugares, ainda se pratica o sistema de permuta de géneros - duas couves podem valer um litro de leite ou meio quilo de açúcar, por exemplo - numa exortação do passado que os saloios não querem esquecer totalmente.
Os queijos de cabra, feitos pelas mulheres segundo receitas antigas, vendem-se nos comércios locais, espécie de bazares onde há de tudo, desde botões a peças de tecido, de lixívia a adubos, aspirinas a xaropes...
Mas nem tudo são flores (embora existam plantados de violetas, margaridas e esquecidas...) no mundo dos saloios.
A falta de água canalizada é a carência principal. No seu quotidiano cada vez mais automatizado os pequenos lavradores sem um plano de rega comum, cada um deles vai fazendo os seus furos, onde melhor entende, razão porque nesta freguesia, o vedor é ainda uma profissão necessária.
Destes furos sai a água para as regas, enquanto que a de beber e cozinhar jorra dos mais de cem chafarizes existentes. Cada terra capricha na ornamentação da sua fonte que é uma espécie de "sala de visitas" pública onde as mulheres, enquanto as bilhas enchem, desenferrujam a língua.»
Pois é, mais de cem...
Só na Aldeia de "Covas do Ferro", se encontram, ainda em bom estado de conservação, meia-dúzia destas primitivas "salas de desenferrujamento" - talvez advenha daí a toponímia do lugar.

a ver navios 40


Está previsto, alargar o terminal de carga e descarga de contentores de Alcântara, em Lisboa.
O que o Governo, a APL (Admin. Porto de Lisboa) e a Mota & Engil (do Sr. Coelho) se propõem fazer, é erguer aqui uma parede de contentores, com muitos metros de altura - uma espécie de "Muro da Pouca-vergonha", que irá anular completamente toda e qualquer hipótese de avistar o rio, ou a outra banda.

Isso significa que o pessoal vai deixar de poder andar ali pela beira Tejo, a ver navios.
Que a "Lisboa vista do Tejo" vai ficar com 2 kms a menos, de vista.
Os próprios navios porta-contentores vão ficar fora da vista.
E os grandes navios Transatlânticos que costumam acostar nas Gares Marítimas da Rocha e de Alcântara - toda a gente gosta de admirar esses imponentes "paquetes" o mais de perto possível, assim, nem de perto nem de longe... impossível.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Rodas do Vento


Vou utilisar as Rodas do Vento para dar ar às Rodas do Tempo
e deste modo desanuviar um bocadinho o ar deste Blog, que ficou empestado com o vómito induzido pela publicação do "post" antecedente.
Ora deixa-me cá arejar esta coisa, com outra imagem de Almargem, que reponha níveis do bom gosto.

Felizmente, os fontanários públicos desgostosos, não são apanágio de Almargem - infelizmente, eles encontram-se disseminados por outras Freguesias, e não só deste Concelho.
Alem disso, há muito mais fontes na freguesia que não são feiosas (ia escrever horríveis, mas não devo, porque na verdade é apenas questão de gosto) - pelo menos uma das já publicadas aqui tem até um bonito painel temático em azulejo.

a Fonte 290

VER MAIOR
Em Almargem do Bispo,
uma relíquia da arquitectura civil, obra de "arte moderna e contemporânea", digna da Colecção "Berardo".

Não sei bem porquê, mas há qualquer coisa, que me me leva a pensar que o fontanário não teria este aspecto aquando da sua inauguração, em 1957. Acho que ainda não era habitual, naquele tempo, forrar as obras públicas com "azulejos de casa-de-banho".

Estou em crer, é apenas uma suposição, que a fonte terá sido alvo de uma recuperação, algures nos anos 70 , talvez com o patrocínio de um benemérito vizinho, empresário da construção civil.

domingo, outubro 26, 2008

Imaginem


Pois, pois, imaginem lá qualquer coisita, se faz favor, porque a mim não me apetece!

Como, não me apetece..?
Imaginar, não é uma questão de vontade - ou se tem ou não - parece que é coisa que já nasce com a gente. É uma coisa inata.
No caso dos artistas, podemos considerar um atributo congénito, como sucede com algumas doenças.
Quem a tem, pode, quando muito treinar, encontrar os estímulos certos que favorecem esta actividade criativa, exclusiva do bicho homem.
Bom, mais logo, vou ver se consigo soltar a imaginação... para dizer alguma coisa sobre, ou acerca, ou em redor desta flor, portanto, uns floreados.
Isto, só para evitar pôr aqui uma daquelas "fontes pirosas" que tenho preparada - fica para amnhã, porque hoje é Domingo e está um belo dia de sol.

Despertar DCCII

Praia das Maçãs, Sintra Acontece por vezes, após uma noite de mar agitado, com ondas alterosas fustigadas por ventos fortes e sabe-se lá qu...