sexta-feira, outubro 17, 2008

a ver navios 37


Vai para longe, pelo mar aberto,
Sempre com uma rota definida.
Não leva, como eu, rumo incerto,
Na difícil travessia desta vida!

(Poeminha, Lisboa 2008)

quinta-feira, outubro 16, 2008

a Partilha



Hoje é quinta-feira, aquele terrível dia da semana em que é costume eu ser perseguido por catadupas de pensamentos profundos, mais ainda que o normal dos outros dias.
No meio destas lucubrações metafísicas e filosófico-sociais, passou-me pela ideia a seguinte extrospecção que, em dado momento, aflige um personagem do "Código d'Avintes"(*).
«Se é triste não termos ninguém com quem desabafar mágoas, mais triste ainda é não termos ninguém com quem partilhar alegrias.
Falta-nos qualquer coisa, é como se tivessemos apenas meia felicidade, meio contentamento, meia vida.»

E faz todo o sentido - a vida não partilhada é como um deserto de sentimentos - penso eu. Ora aqui está uma coisa interessante, que eu não esperava encontrar num romance ligeiro e despretencioso.

(*)
CÓDIGO D'AVINTES - O Romance, passado nas margens do Douro, que faz luz sobre o mistério da infancia de Jesus Cristo.

quarta-feira, outubro 15, 2008

a Fonte 284


Na entrada da Vila Ramos, na Cruz Quebrada.
Quase em frente ao antigo terminus da carreira de eléctricos nº 15 (Praça do Comércio - Cruz Quebrada) cuja viagem, em 1973, ano em que a carreira foi extinta, custava a módica quantia de 2$00 (2 escudos), ou seja, UM CÊNTIMO de EURO.
Isto fica nas margens da Ribeira do Jamor, junto à foz, paredes meias com o Estádio de Futebol, conhecido como o "Estádio Nacional", para todo os Portugueses, excepto um, certo e determinado sinhuor do nuorte, dono do FCP - para esse, aquilo é apenas o "Estádio de Oeiras".

terça-feira, outubro 14, 2008

a Jardinar


[Escultura no Parque Serralves, Porto]

A Sombra

Agora, lá vou eu a Tribunal
Para explicar ao doutor Juiz,
A malandrice que eu fiz:
Plantei uma árvore no quintal.

A árvore, cresceu sem parar
E faz sombra na casa do lado.
Ora bem, cá estou eu acusado
Porque não a quero arrancar.

Este ano tudo me aconteceu;
O azar caiu em cima de mim;
Se as coisas continuam assim,
Quem vai ficar à sombra, sou eu!

(quem manda armar em jardineiro?)

segunda-feira, outubro 13, 2008

Penso Rapido (3)



«A sociedade depende das mulheres;
todos os povos que as mantêm encerradas, são insociáveis.»

(Voltaire)

domingo, outubro 12, 2008

a Fonte 283


(foto de David Moraes de Andrade - Wikimédia)
A Fonte de Iracema, na Lagoa de Messejana(*)

«Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
»
(*)
Não confundir:

Messejana, a Lagoa
Brasil (Ceará) em Fortaleza, a terra natal de José de Alencar, autor do romance/lenda que conta a paixão entre a sacerdotiza índia "Iracema" e o navegador português Martim, que teria acontecido nas praias do Ceará.

Messejana, a Praia
Portugal (Alentejo) perto de Aljustrel, a terra natal de Brito Camacho, presidente da 1ª República Portuguesa, que segundo a lenda, teria prometido aos seus conterrâneos: "tratem vocês de arranjar a areia, que eu depois mando levar a água" para fazer lá a praia.

sábado, outubro 11, 2008

Amanhecer CXXXIX


Um obstáculo de cor intensa invadiu o horizonte da minha janela, na Casa da Praia, virada para o campo.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Qualidade de Vida


(autoretrato, numa passagem pedonal sobre a linha do comboio)
Por vezes, esqueço que estou velho e cansado não, mas chateado sim, desta vida sem jeito, sem sentido e desafio o meu filhote Miguel (10 anos) a fazer-me companhia num passeio a pé por Lisboa.
Nas tardes em que ele não tem aulas e eu tenho qualquer (pretexto ou) assunto para resolver na minha cidade, aí vamos nós. Ele adora andar no comboio, e eu também.

O comboio, leva-nos quase desde a porta de casa, até ao centro da Cidade, na velha Estação do Rossio. Durante a viagem, dá para apreciar as mudanças na paisagem e fazer as palavras cruzadas ou ler um jornal daqueles que são distribuidos gratuitamente nas estações.
É um descanso, quando comparado com o trabalhão (o stress, o risco) de conduzir um automóvel até Lisboa e lá encontrar um lugar de estacionamento... e depois fazer o percurso de volta.
Todas as manhãs, me sinto um estúpido a olhar, sem entender como é que é possível existir ainda, neste tempo de crise, aquela interminável fila de carros na minha rua aguardando a vez para entrar no afamado "IC19" a fim de se dirigirem a Lisboa.

O curioso é que, são raros, mesmo muito raros os carros que levam mais alguém para além do condutor. Chamam a isso, qualidade de vida? E o Burro sou Eu? Ah, não... Pois claro, Burro era o Luis Felipe Scolari.

a ver navios 36


O pescador do mar alto
Vem contente de pescar.
Se prometo, sempre falto
Pois receio não agradar.


(F. Pessoa)

quinta-feira, outubro 09, 2008

quarta-feira, outubro 08, 2008

a Fonte 282


Não parece, mas é.
Ou melhor, era, uma fonte.
Hoje é uma ruína, como tantas outras, soterrada na orla do canavial que invadiu meia encosta do parque de treinos do Vale do Jamor, no limite urbano de "Linda-a-Velha", que eu por vezes confundo com "Linda-a-Pastora", a que um velho amigo chamava, "Jolie-la-Vieux" ou "Jolie-la-Bergère".

Despertar DCCII

Praia das Maçãs, Sintra Acontece por vezes, após uma noite de mar agitado, com ondas alterosas fustigadas por ventos fortes e sabe-se lá qu...