
Assim era Eu,
empurrado por ventos
ao sabor das corrrentes
subindo e descendo com as marés;
saltando nas ondas de espuma
revigorada pela resistência dos recifes;
deslizando no marulhar das águas bonançosas
mansamente espraiadas nas enseadas amenas;
assim era Eu
seguindo sempre sem parar,
sem esperar, nas pensando,
"- um dia vou-me encontrar!"
mas se não Eu, talvez outro alguém;
prossigo em vertiginosa fuga
atravessando estreitos opressivos;
rebatendo nas fragas
ocultas no sopé dos promontorios alterosos;
agora, sou Eu
aflito, tolhido, magoado
e cansado, mareado e desiludido,
desta fuga de mim, através do meu mar;
assim sou Eu,
recolhido cada vez mais
para dentro, por dentro de mim...
(Não tem Título - estas coisas escritas assim, não precisam; se tivesse, podia ser MAR INTERIOR; na Costa Atlântica, em Agosto de 2008)