quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Porta 18


Contamos, uma, duas, ... seis, habitações, com ligação directa à porta da rua, via campaínha.
Cada uma com a sua história:


<> Uma (1º Esq.) - Não sei quem lá mora. Não estava lá ninguém para contar a história.
<> Duas (1º Dir.) - A vizinha, não sei quantas, não percebi o nome, estava a tratar da muambada para o jantar e não tinha tempo para contar histórias.
<> Três (2º Esq.) - Aqui, havia muitas histórias para me contar, isto se eu conseguisse perceber o linguajar de qualquer um dos vários inquilinos que partilhavam a habitação.
<> Quatro (2º Dir.) - Outra história por contar. "Fica para a próxima. Quando quiser, tu pode voltar, que despois a gente fala muita história de além-mar. Agora nóis vai sair p'rá trabalhar!" Disseram lá de cima.
<> Cinco (3º Esq.) - Está muito escuro e mal se distingue e não se percebe o que dizem lá de cima do alto da escada. "Eles vão sair para jantar no Restaurante Paquistanês. É já ali em baixo nas Escadinhas, pode ir lá falar com eles", esclareceu um homenzinho que passou por mim a caminho da rua.
<> Seis (3º Dir.) - Obrigado! Agradeci ao vizinho tradutor, que estava de saída e que por caso, era do terceiro direito. Ora gaita! Não ficou mais ninguém no prédio para contar histórias.
<> Minto, não é bem assim. Está gente nas águas-furtadas. Ouve-se música e tudo. Só que, infelizmente, não contam para esta história, lamento, mas... acontece que não têm campaínha na porta da rua. "Salvos pela campainha!"- dirão os leitores mais atentos, dos Blogs vizinhos. Ou melhor - "Salvos por não terem campaínha!"


É assim, a gente, é assim a vida da gente de uma qualquer Travessa da Mouraria, na Lisboa de agora.

o Sacrista



Simetria e as Janelas da Sacristia.

SACRISTA do garoto!
Não tem juízo nenhum...
lastimava o meu Avô Hemitério, é mesmo levado da breca, quando crescer vai ser um desatinado, e murmurava um adágio a propósito,
"A soldado e a sacrista, não há amor que lhe resista."


O Sacrista era eu. Mas, pensando bem, acho que o meu primo que estudava no Seminário e que ajudava à missa, durante as férias de Verão, lá na aldeia, era mais Sacrista do que eu. Se eu era um Sacrista ele era um Sacristão, pois então.
Quando ele tomava conta da Sacristia, por vezes, eu ia ajudá-lo a preparar as coisas para a missa. Nessa altura, ele gostava de comer as finas folhinhas de pão de onde se recortavam as óstias - um dia, também provei - eram feitas de pão branco, não havia dúvida, mas não achei nada de especial a não ser, talvez, que tinham falta de sal.
Penso que foi a única vez que "papei" uma óstia.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

a Fonte 203r

AMPLIAR
Revisitada mais uma vez (a terceira e não será a última vez a ser para aqui chamada) a fonte monumental da Praça D. Pedro IV (Rossio) em Lisboa.

LOVE FOUNTAIN - LOVE LISBON

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

porta verde


Passou por mim no caminho
fugia não sei de quê, desvairada,
vestia um leve casaquinho
amarelo,
que, desapertado, esvoaçava
e corria num desatino pela calçada
tal era a pressa que levava
chocou de frente com a porta
verde
e abrindo-a, entrou de rompante
deixando a rua como morta
cá fora porém desliza um vulto
mal se lhe adivinha o semblante
que fixa, franzindo o sobrolho
na porta, daquele lugar de culto,
onde balança o pesado ferrolho
de cenho carregado, deu um murro
na porta verde por onde entrou o casaquinho amarelo
na minha terra há um adágio, disse num urro,
"Amarelo e verde, é como ranho na parede!"
- E tu para onde é que estás a olhar, ó caramelo?
disse ele para mim. - Para nada, estou de passagem,
vou já embora, é só ir ali à fonte matar a sede.
- Então pira-te, vai andando e Boa Viagem!


domingo, fevereiro 03, 2008

a Salsa


Petroselinum crispum (da família das umbelíferas; ordem das apiaceas; grupo de plantas angiospérmicas, dicotiledóneas, fanerogâmicas, segundo a classificação vulgar de Lineu)

A Bailar La Salsa

Hay tanta violencia en el mundo,
no se puede vivir en paz
Por eso yo invito a la gente
a encontrar
la esperanza, la fe y la amistad
A bailar la salsa que te va a gustar
Ay, qué cosa buena vamos a bailar


Ahora, si te sientes triste

o sufres por penas de amor
Comienza a mover tu cintura,

al compás de esta salsa todo va mejor
A bailar la salsa que te va a gustar
Ay, qué cosa buena vamos a bailar

Para disfrutar en la vida
te puedes dar un bacilón
Olvida los malos momentos riendo,

bailando con esta canción.

(Juan Antonio Labra)

sábado, fevereiro 02, 2008

a Fonte 202


Centro Comercial Colombo, Lisboa.

Fonte de Neptuno, desfocada por força das circunstâncias que se explicam no post de "O Pessoal da Porcalhota"

Janela 18


Atrás destas grades, guarda-se O TEMPO.

O Tempo dos conquistadores de Lisboa.
O Tempo dos cavaleiros desleais à Nação.
O Tempo dos navegadores Portugueses.
O Tempo dos defensores da velha Goa.
O Tempo dos algozes da Santa Inquisição.
O Tempo dos meliantes e outros malteses.

Através destas grades, escorre O TEMPO.

Amanhecer CIII


De volta aos canteiros de flores do meu terraço,
com as cores da república.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Porta de O Martinho


A porta d'O Martinho da Arcada.

O café dos escritores,
Fernando Pessoa (tem uma aqui mesa permanentemente reservada), Cesário Verde, António Botto, Augusto Ferreira Gomes, António Ferro e Almada Negreiros; agora, passou a ter também uma mesa exclusivamente reservada para José Saramago.

O café dos políticos,
Afonso Costa, Manuel da Arriaga, Bernardino Machado, França Borges e outros bem conhecidos presidentes e ministros dantanho.



Não deve haver muitos, Alfacinhas como eu,
que nunca tenham entrado no café mais antigo de Lisboa, justamente classificado pela União Europeia, no grupo dos mais famosos do velho mundo.

Desta maneira, desconfio que nunca hei-de chegar a ter lá uma mesa permanentemente reservada para mim... Está na hora de lá ir beber um café!

a Fonte 201


Para começar o mês, voltamos à mesma:

outra vez, uma fonte (seca) na Mouraria, sem interesse mais nenhum,
a não ser o primoroso trabalho dos calceteiros, em redor deste chafariz.

É mais uma imagem da velha Lisboa, gentilmente cedida pelo Largo da Achada.

Janela 22

PODE AMPLIAR
Não há só portas e janelas
velhas e gastas,
como as pedras das calçadas
e sujas,
como as paredes das vielas,
cuja caliça se esboroa
em Alfama, na Costa do Castelo,
na nossa velha Lisboa
Afinal, nem tudo é desmazelo.

Entardecer e Adormecer

Praia de Algés, Oeiras Ah, quanto tempo que eu gastei a pensar; a pensar nas coisas que eu queria dizer; e foi tanto o tempo que leve...