
sábado, outubro 20, 2007
Amanhecer LXXXVIII

sexta-feira, outubro 19, 2007
O Arco
Arco do Bandeira.
Quem seria "o tal Bandeira" que deixou o nome ligado para sempre à cidade de Lisboa?
Sempre que passo por aqui fico a pensar:
Há coisas materiais, que ficam, no mesmo lugar, mais ou menos inalteradas,
por muito e muito tempo;as pessoas vão andando, vão passando, vão desaparecendo, vão mudando, vão-se renovando os olhares viventes;
há coisas, como aquela pastelaria da esquina da Av. da República, ao Campo Pequeno, que desaparecem no tempo e no espaço da vista dos vivos; a gente vai andando, a gente passa e de repente... já lá não estão, mudaram; o tempo mudou as coisas.
Mas a gente ainda consegue ver as coisas que já lá não estão!
As coisas que já não existem, afinal existem de muitas formas dentro d'a
gente!
Até que, a gente se vai, desaparece, e com isso se perdem definitivamente as coisas que já não existiam.
quinta-feira, outubro 18, 2007
o que dizer
a Fonte 149
quarta-feira, outubro 17, 2007
foi por ela
Amanhã, talvez disponha de outra oportunidade... quem sabe?
Valerá a pena tentar. Se não for por mim, pode ser por ela. Ela, quem?
Aquela que o Fausto canta?
"Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora"
Claro que não. Ela, ela, não é a mesma. Mais nada, pronto.
Ou talvez seja, pelo menos um bocadinho, quer dizer, assim, assim.
Haverá p'raí a modos que uma sobreposição de conceitos.
Ela é vida.
Ela é natureza.
Ela é origem.
Ela é metafísica.
Oh! Isso é filosofia - nada de especial - coisa vulgar, toda gente tem: ideias.
As ideias não existem.
Não podem existir na realidade.
Das duas três - ou são reais, ou são ideais.
terça-feira, outubro 16, 2007
Liberdade
(Lisboa)
Eu não posso senão ser
Desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
E sempre a verdade vença,
Qual será ser livre aqui,
Não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
É quase um crime viver.
Mas embora escondam tudo
E me queiram cego e mudo,
Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade.
Jorge de Sena
segunda-feira, outubro 15, 2007
Meus Olhos

IMPRESSÃO DIGITAL
Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes,
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
(António Gedeão)
domingo, outubro 14, 2007
a Fonte 148
No horizonte, a sombra imponente do Convento de Mafra.
Nas bandas do Poente, o agitado Mar da Ericeira.
No vale fundo ali perto, a Aldeia do Livramento.
sábado, outubro 13, 2007
Amanhecer LXXXVII
Esta manhã acordei com uma imagem de infância - um recanto da casa da minha Avó Raquel, na aldeia do Livramento (Oeste).
O poial da cozinha com o cortinado de chita aos quadradinhos, preso com o esticador.
Na parede, o forno a lenha para cozer o pão - o saboroso pão escuro, à moda saloia.
No lado esquerdo, uma bilha e um pote de barro, guardavam a água da fonte, fresca e limpa para beber e cozinhar.
No cantinho à direita, o apoio onde se cozinhava lentamente, ao calor das brasas de lenha de videira - a sopa de feijão encarnado com massinhas de pevide com um sabor exclusivo, inimitável, inesquecível, tão única que nem mesmo a minha Mãe, conseguia fazer, por mais que tivesse tentado.
O segredo da confecção: a qualidade da água, do feijão e das batatas da horta, o tempo, o lume de lenha e o ar, o ar impoluto, especial daquela aldeia da zona Oeste.
sexta-feira, outubro 12, 2007
a Fonte 147
(Alto da Boa Viagem, foz do Jamor)
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro
Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata
Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais
Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas
(Manuel da Fonseca, 1958)
Noite Parada
Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...
