segunda-feira, maio 28, 2007

Vista daqui 27


Deslizo sem pressas
P'las ruas estreitinhas
Os becos e escadinhas,
E as vielas e travessas.

Calçada da Bica Maior,
Largo de Sto. Antoninho.
Na tasca provei o vinho,
Nada mau, podia ser pior.

Deambulando a desoras
Em busca de um passado
Noutro tempo enterrado.
Ah. Não tenho melhoras.

Agora! Ou vai ou racha:
Eu gosto de viver assim
Sempre a fugir de mim.
Isto é conversa de xaxa.


(O Bicho Solitário, 2007)

o Zepelin



GENI E O ZEPELIN

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro


Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni



("Ópera do Malandro", Chico Buarque)

domingo, maio 27, 2007

a esquina


"Juntaram-se os dois à esquina..."

O electrico da carreira 28 a subir para o Chiado.

em cima


"Lá em cima está o tiro-liro-ló..."

O carro nº 1 do Elevador do Lavra - Lisboa.

em baixo


"Cá em baixo está o tiro-liro-liro..."

O carro nº 2 do Elevador do Lavra - Lisboa.

a Fonte 106


Mais uma das dezenas de fontes de nascente
que ainda se podem ver ao longo das estradas
que cruzam o Monte da Lua - Sintra.

Esta encontra-se à entrada do jardim do Palácio (Hotel) de Seteais.

sábado, maio 26, 2007

Outra Cascata


(Parque de Monserate, Serra de Sintra)

Estava quase a acabar um poema,
Quando se desligou esta porcaria.
Estou a ficar farto deste esquema,
De escrever ligado a uma bateria.

Na tal poesia que eu tinha feito,
Nem sequer falava sobre mim,
Nem das mágoas do meu peito.
Já sei, era mais ou menos assim:

Pelas negras pedras de basalto,
Que represam as águas do lago,
Escorrem fios de água lá do alto,
Como a teia, tecida por um mago.

("Escrita em dia", OBicho, Maio 2007)

Vista daqui 26


Um espécie de cor-de-rosa vermelho não sei quê, carregado, forte.

Assim é a exuberante Buganvília do meu terrasso, que nesta Primavera,
amarinhou descontroladamente pelas paredes, da minha casa da praia.

Amanhecer LXXVII


Cascata de água fresca em fundo verde intenso.
Esta água que escorre pela vertente noroeste da Serra de Sintra,
vai ao encontro da Ribeira de Colares (Rio das Maçãs) lá mais em baixo, no vale.

sexta-feira, maio 25, 2007

a Fonte 103


Na Ericeira, chamam-lhe a Fonte do Cabo.

É mais antiga c'ó caraças!
Diz-se que foi construída em 1457 - ano em que foi fundada a Capital do Japão - Tokyo.

Simetrias


(Fotociclista nas Minas de Aljustrel, 2006)
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"Capicua?"
"Ó Pai, mas que raio de bicho é esse, de que eu nunca ouvi falar?"
Perguntava-me à bocadinho, o Miguel (9 anos), quando eu parei o carro na berma da estrada e lhe disse:
"Bilo, olha aqui, uma capicua!"
Depois, é claro, tive que explicar:


Não é nenhum bicho. Chama-se capicua a um número que apresenta sempre o mesmo valor, lendo-o da esquerda para a direita ou ao invés ().

Olha o conta kilómetros do meu carro. Marca 189.981 kms - isto é uma capicua perfeita, uma simetria completa de 3 pares de algarismos.

Também há frases que apresentam as mesmas propriedades de simetria, na leitura, como por exemplo a expressão brasileira "SUBI NO ONIBUS", mas acho que não se designam capicuas.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...