segunda-feira, maio 07, 2007

a Fonte 93


em Almargem do Bispo.

A água fresca nasce no monte
Vai caminhando alegremente
Para chegar à bica da fonte
E matar a sede a muita gente.


(diz o Povo)

domingo, maio 06, 2007

Maternidade


Uma criação do "barrista" José Franco.

Realço a extraordinária expressão de TERNURA, AFEIÇÃO, MÃE FILHO MÃE, que o artista, conseguiu imprimir nesta pequena escultura,

que se encontra na rua, mais ou menos esquecida de todos, (ao sabor dos elementos - ao sol, ao frio, ao vento, à chuva) num nicho da parede exterior da sua casa/oficina no Sobreiro - Mafra.

sábado, maio 05, 2007

Amanhecer LXVIII


Já me disseram - "Ó pazinho, vai morrer longe!"
Calculo, como deve ser difícil (especialmente para um português), morrer longe, fora do seu - nosso - país. Morrer lá fora, com saudades da santa terrinha.

Talvez, um dia, quem sabe, consiga mandar-me daqui para fora e ficar por lá esquecido da minha cidade e do seu rio, Lisboa e o Tejo;

insensível às saudades do brilho do sol e da brisa do mar;

incapaz de recordar as cores das casas nas manhãs claras;

o azul do ceu mais azul, os reflexos no mar das cores no entardecer...


É tanta coisa, tanta... mas por agora vou apenas "amanhecer longe".
Só por hoje, um Sábado, longe do Vale da Ribeira de Colares, ou Rio das Maçãs.
até logo mais..

a Faina


A faina já não é o que era
Os barcos estão parados
Continuam p’rali à espera
De um patrão e contratados

Com as botas p’los joelhos
Vão lançar ao largo no mar
As redes, bóias e aparelhos
Para peixe e polvos apanhar

Fiapos de algas verdes coladas
Na tez morena, tisnada do sol
E curtida pelas brisas salgadas,
Brilham na noite à luz do farol.

Se a chuva forte cai a rodos
Fustigando de lado as vidraças
Ai, o perigo é igual para todos,
Não sentem diferença de raças.

A bordo todos são como irmãos
Do mais velho até o mais moço
No mar lavam a cara e as mãos
E também as panelas do almoço.

(Ericeira, Maio 2007)

sexta-feira, maio 04, 2007

a Fonte 92


A água é fonte da vida
A vida é fruto do amor
Se uma estiver poluída
A outra padece de dor

(PopularEu)

Autoretrato 17


Estou quase lá no fundo;
sinto-me afundar, irremediavelmente;
não há retorno, mas por enquanto ainda consigo respirar;
se o meu pesar não aumentar, talvez me mantenha assim, meio a flutuar;
se o peso das minhas penas aumentar, então aí estou lixado, vou-me afogar;


bem, então o melhor é, voltar às aulas de natação na piscina para estar em forma - prefiro afogar-me a nadar no mar revolto a ficar quieto num marasmo, vendo a água subir lenta e inexoravelmente por mim acima.

quinta-feira, maio 03, 2007

na volta do tempo


Ò tempo volta para trás
Dá-me tudo o que eu perdi
Tem pena e dá-me a vida
A vida que eu já vivi.

As horas p'ra mim são dias
Os dias p'ra mim são anos
Recordação é saudade
Saudades são desenganos.

Ò tempo volta p'ra trás
Mata as minhas esperanças vâs
Vê que até o próprio sol
Volta todas as manhãs.

Porque será que o passado
E o amor são tão iguais
Porque será que o amor
Quando vai não volta mais.

(António Mourão, 1965)


Nota: a expressão (alheamento, desalento) e postura (desinteresse, abandono) desta senhora sentada no poial de sua casa na Ericeira, fez-me sentir que ela vivia um momento de tristeza e amargura muito grandes.
Provavelmente, a solidão, o desgosto da falta de um companheiro amigo; pode ter saudades dos filhos; ou sentir muito a falta dos netos; e quando pensei nisto, lembrei-me que o meu filho mais novo, não conheceu as suas Avós.
De tal forma, me tocou, este sentimento intenso (ainda agora ao descrevê-lo me sensibiliza) que estive a ponto de não fazer a fotografia - decidi disparar de qualquer maneira, à sorte, sem sequer olhar; saiu bem (e ainda bem), apenas, por mero acaso.

a Fonte 91

Fonte da Aranha

Ora cá está um exemplo de fonte com história:

não é muito grande, nem a história, nem a fonte;
não é assim uma coisa extraordinária, a arquitectura;
o painel de azulejos bastante expressivo, até não é feio;
a água pode-se beber, aqui na "Fonte da Aranha",
construída em 1958, em Almargem do Bispo,
relativamente perto do Santuário da Sra. da Piedade.

Coitado do Mar


Dizem que o mar é casado, ó ai,
Dizem que o mar tem mulher;
É casado com a areia, ó ai,
Dá-lhe beijos quando quer.

O mar enrola na areia
Ninguém sabe o que ele diz;
Bate na areia e desmaia,
Porque se sente feliz.

Também o mar é casado, ó ai,
Também o mar tem filhinhos;
É casado com a areia, ó ai,
Os filhos são os peixinhos.

(Grande Poeta, é O Povo)

Quando eu fiz esta fotografia, no miradouro norte da Ericeira, ouvi uma velhota cantarolar esta velha canção da minha infância;

ali ao lado, ela entretinha-se a remendar uma rede - não para a pesca, porque "a pesca já deu...", disse-me ela, "agora é uma rede para a mosca!"

quarta-feira, maio 02, 2007

a Fonte 90



Todas as fontes têm uma história.
E quase sempre faz parte dela uma lápide com alguma coisa escrita:

que nos pode informar, qual o seu nome, ou como é mais conhecida, quando foi construída, quem a construiu, quem foi o arquitecto, quem a mandou fazer, para quem servia, ou quando muito, se tem água potável ou não e se é proibido (ou não) lavar automóveis no local.

Talvez seja o caso desta fonte, mas não sei, porque me esqueci; nem sei como se chama, nem onde fica situada, só sei que se trata de um Real Chafariz das Águas Livres de Lisboa, por causa do brasão na frontaria - o resto, foi por água abaixo quando aqui lavei algumas memórias.

terça-feira, maio 01, 2007

Maio


Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu.

(Zeca Afonso, 1971)

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...