sábado, abril 14, 2007

Amanhecer LXIV



manhã clara de um dia primaveril
aroma intenso de Glicínias em flor
a Vila de Colares, no mês de Abril
vive a Páscoa com muito mais cor

sexta-feira, abril 13, 2007

Vista daqui 15


É gira, vista daqui de baixo, a cúpula da Igreja de S. José, em Lisboa.

Um ano mais


Sexta-feira, treze, abril dois mil e sete,
Festejo um ano que passou menos mal.
Começa logo mais outro, que promete
Não ser melhor nem pior, talvez igual.

É verdade. Ela faz hoje mais um ano.
Meu Deus! Até já passou os quarenta.
E há já vinte sete, se não me engano,
é a causa do amor que me atormenta.

quinta-feira, abril 12, 2007

Para Ela


(Lisboa - Belém, 1980)

Nevoeiro denso,
Noite quente.
Desejo imenso,
Beijo iminente.

Mãos nervosas.
Pernas trôpegas.
Perfume: Rosas.
Bocas sôfregas

Saborosa tontura:
Cabelos pendentes,
Perfeita loucura.
Lábios frementes...

Olhos marejados
Pele afogueada
Pelos eriçados
Língua molhada.

Paixão ardente,
Alma inquieta,
Amor nascente.
Renasci poeta!

Isto dediquei
Ela entende;
Agora acabei:
“THE END”

a Fonte 83


No Largo de S. Paulo - Lisboa.
Registada como a fonte Nº 28 da cidade.

com a Mosca

O Jacinto na adiantada Primavera
Renova-se no meu jardim florido.
Até qu'enfim. O mau tempo, já era.
Oh! A flor dá à vida mais colorido,
Abrindo a sua corola muito bela.
"Mas, de repente, fico fodido:
- uma mosca, pousa sobre ela."


(Insólito, poesia da treta)

Mariquices


Jacinto, na Mitologia Grega, era um jovem de extraordinária beleza, que foi amado apaixonadamente por Apolo.

Um dos deuses dos ventos, Zéfiro (ou Bóreas), nutria o mesmo sentimento, ficando enciumado com a preferência concedida pelo jovem a Apolo.
Um dia em que Apolo e Jacinto jogavam juntos, esse vento soprando com violência, desviou o disco lançado por Apolo, fazendo-o atingir a fronte de Jacinto, que caiu morto.
Apolo esgotou todos os seus recursos divinos para o fazer reviver, mas sem resultado; transformou-o então na flor que hoje conserva o seu nome.

quarta-feira, abril 11, 2007

a Fonte 82


Pelas arribas das Praias da Parede, das Avencas, da Baforeira, de S. Pedro do Estoril, escorrem para o mar, muitos fios de água doce, de nascentes subterrâneas - poucas (como esta) penso que ainda não estão inquinadas pelos esgotos domésticos.

O Elevador


O ELEVADOR DE SANTA JUSTA

podes caber à larga e não à justa no elevador de santa justa,
não te leva a parte nenhuma no sentido utilitário normal,
mas é a nossa torre eiffel. faz a experiência. por sinal
é um caso em que não custa aprender à nossa custa:
variamente na vida e na ascese se blifusta,
e aprender á nossa custa é muita mais ascencional.
.
podes subir até ao miradouro se a altura não te assusta:
lisboa é cor de rosa e branco, o ceu azul ferrete é tridimensional,
podes subir sozinho, há muito espaço experimental.
noutros elevadores há sempre alguém que barafusta,
mas não aqui: não fica muito longe a rua augusta,
e em lisboa é o único a subir na vertical.
.
no tejo há a barcaça, a caravela, a nau, o cacilheiro, a fusta,
luzindo à noite numa memória intensa e desigual.
com o cesário dorme a última varina, a mais robusta.
não é para desoras o elevador de santa justa,
arrefece-lhe o esqueleto de metal.
mas tens o dia todo à luz do dia. não faz mal.

(Vasco Graça Moura)

a Fonte 71R


Parede (Cascais)
Revisitada, 30 anos depois da primeira fotografia "a Fonte 71", a fonte concha malmequer que a CarlaMar bem quer.
São poucas, felizmente, as diferenças - está mais limpa e tem outra torneira.

terça-feira, abril 10, 2007

feira da alegria


É terça-feira
e a feira da ladra
abre hoje às cinco
de madrugada

E a rapariga
desce a escada quatro a quatro
vai vender mágoas
ao desbarato
vai vender
juras falsas
amargura
ilusões
trapos e cacos e contradições

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração é incapaz de dizer
"tanto faz"
parte p'ra guerra
com os olhos na paz

É terça-feira
e a feira da ladra
quase transborda
de abarrotada

E a rapariga
vende tudo o que trazia
troca a tristeza
pela alegria

(Sérgio Godinho)

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...