terça-feira, maio 09, 2006

virado a sul


Por esses campos fora
vamos lá saindo
que a manhã vem rindo
nos lábios d'aurora.

e lá vou andando, à sorte
para sul vai a vontade virada
pela obrigação contrariada
porque o prometido fica a norte

vou a caminho e mais não digo
sinto um impulso para vadiar
para sair daqui a sós comigo
sem saber quando vou voltar

ora gaita nem peciso pensar
para estar aqui a escrever
aquilo que me apetece fazer
é mesmo andar sem parar.

Esta rima é uma grande foleirice
mas calhou, veio a talhe de foice.
O meu interior de nómada disse:
- está na hora de partir! E foi-se.

domingo, maio 07, 2006

Mae

"A man's work is from sun to sun, but a mother's work is never done."
..
Eu sou uma Mãe que tem filho
eu tenho um filho que não tem Mãe
eu sou Mãe que não tem filho.

O filho perdi-o numa noite de tempestade
eu fui envolta em nuvens de fumo negro espesso
carregadas de chuva e trovoada
ele foi envolto em nuvens de esperanças e de ilusões.

E vivo neste conflito tentando encontrá-lo
procuro em todo o lado, vejo tudo o que é sítio
mas não o encontro em lado nenhum
..
(escritos de minha Mãe, Maio de 1988)

sexta-feira, maio 05, 2006

mais um par

Para acabar a série dos amarelos.

Estou cansado, desta cor:
- passei toda a semana a pintar as paredes do quarto dos brinquedos com uma cor que dizem ser verde mexicano(?). Eu cá, acho que é mais amarelo limão e já quase maduro, mas enfim... que se lixe, o dono do quarto gosta assim mesmo.
Por causa destas questões de cores e pinturas é que, ultimamente não tenho pintado quadros novos; e ainda estão dois ou três por acabar.
Estou farto de tintas. Tenho as mãos amarelas, o nariz, os óculos, já vejo tudo amarelo. Até o cérebro, deve estar amarelo!
Por isso não tive tempo, nem disposição, para escrever coisas aqui.
Mas acabou:
- para a semana vou passar a outro quarto e mudar de cor para laranja.
"Laranja, Limão..." - havia uma música ou uma lenga-lenga qualquer que começava assim..?
Agora só me lembro daquele fado que fala dos electricos de Lisboa - "O Amarelo da Carris..."

quarta-feira, maio 03, 2006

tanta terra...



É tão grande o Alentejo
Tanta terra abandonada
A terra é que dá o pão
Para bem desta nação
Devia ser cultivada

Tem sido sempre esquecido
Da margem ao sul do Tejo
Há gente desempregada
Tanta terra abandonada
É tão grande o Alentejo

(moda do Cante Alentejano)

Porta Candeia


Estava aqui a pensar... que sou bem capaz de um dia destes, ficar a olhar para esta porta encandeada e desatar a escrever um livro. Quero dizer, talvez apenas as primeiras páginas de um livro.
Sinto-me estranho. Não sei nada sobre qual seria o tema do livro. Filosofia, talvez, é sempre muito fácil escrever coisas à volta de um qualquer problema filosófico, do género,

"...escrevo porque gosto de carapaus fritos de um dia para o outro e então se forem acompanhados com umas fatias de pão alentejano - o verdadiero casqueiro -, umas azeitonas verdes curtidas em água do poço e uma caneca de café da cafeteira... chi!!! Basta, não asses mais carapaus fritos!"

Não sei ainda porquê, esta fotografia leva-me a pensar que estou atrasado, que já é tempo de começar a extrair da minha cabeça conjuntos de pensamentos conexos perfeitamente encadeados em letras, palavras, frases - com orações completas, recheadas de verbos, sujeitos, predicados e complementos directos - mas para dizer o quê? Não faço a mínima ideia... ainda.

terça-feira, maio 02, 2006

a Fonte 4


Chafariz de Três Bicas (Moura)

Obra barroca em mármore, coroada pelas armas de D. João V, sobre a qual se ergue a varanda do palácio. Até parece que estamos em Roma!
Fonte monumental, uma das duas belas fontes que existem no centro da pacata cidade de Moura.


Janela para ver XV


esta é mesmo só para ver.
e ver apenas de dentro para fora
o que está à vista, lá fora
não deixa ver para dentro
(porque hoje não quero escrever mais nada
que deixe ver o que me vai cá por dentro)

Noite Africana

Ilha da Boa Vista, Cabo Verde Cai a noite no barlavento do arquipélago cabo-verdiano.