terça-feira, abril 18, 2006

Amigo de Peniche


(Doca de Pesca)

O Fotociclista está quase a chegar de férias.
Foi visto na passada quinta-feira em Peniche.
Instalado numa esplanada frente ao mar.
Saboreando uma Espetada de Cherne.
No Catequero custa apenas 7,5 €uros.

quinta-feira, abril 06, 2006

escrita de sentido

[a imagem deste texto foi "cair" no Blog do Pessoal da Porcalhota]
Bem verdade o que diz a Maria sobre a questão do sentimento da escrita.
Sinto na verdade uma grande emoção quando revejo as fotografias da velha Lisboa.
Quando penso em escrever alguma coisa sobre uma delas, fico perdido no tempo a tentar imaginar coisas:
cenas de vidas passadas, de gente parecida com a que conheci na Porcalhota de antigamente, como a D. Berta "maluca", uma mulheraça que vivia com o Ti Tomé, homem pequenino - velhaco ou dançarino;

quando a provocavam ela apregoava as suas origens em famílias finas da Calçada dos Barbadinhos e a carreira de artista do Teatro de Revista que abandonara por amor;

as alegrias e desgraças, os dramas de "faca e alguidar" do dia-a-dia da vida familiar, que as vizinhas alcoviteiras espreitam por entre os lençois pendurados a secar na corda da roupa frente à janela;

o ambiente sonoro da rua, os pregões, os amoladores, a carroça do azeite, o tlém, tlém, tlém, a avisar que vem lá o carro electrico; e o cobrador puxava o cordão de cabedal preso ao tecto e fazia tlim, tlim - era o sinal de "pode seguir!", para o guarda-freios condutor;
e aquele raspar das rodas dos carros electricos nas curvas mais apertadas da electrico da Graça;

os aromas que circulavam pelos becos e vielas, o vento, o frio, as chuvas;
o respingar das goteiras nas pedrinhas da calçada e as cascatas das águas de Abril pelas escadinhas abaixo;

enfim, tudo me faz recordar a cidade da minha infância, a cidade onde nasci e onde morei apenas 3 ou 4 anos, mas que inexplicavelmente me comove.

agora vou dormir


e deixo esta Sra. de Atalaia, pela noite dentro a tomar conta do meu sono e a fazer companhia a quem se lembrar de visitar este blog no meio das suas insónias.
o tempo esta noite está de feição para a escrita, chove, estou inspirado, sinto as palavras à solta, talvez revoltas pela ventania, mas é muito tarde e preciso descançar, pois o dia foi longo e trabalhoso.

quarta-feira, abril 05, 2006

Janela para ver (13)

Esta já não tem muito que ver...

é triste o equadramento que a rodeia:

os restos de uma parede sem cobertura, sem cor definida, a desfazer-se e a remendar-se sem qualquer jeito;

quem vive dentro da casa agarrada a esta janela, provavelmente já não pode sair e por isso não vê;

não vê, não sabe o mau estado em que se encontra a pequenina janela com tabuinhas, que já não abre;

talvez porque o fecho está perro, as dobradiças desengonçadas e já vão faltando a força e o jeito nas mãos;

à tardinha, já não espreita por entre as tabuinhas, o movimento dos vizinhos que cruzam a Travessa, vindos dos lados do Elevador;

já não há garotos para admoestar, quando eles faziam algazarra na correria em direcção às escadinhas bem ali ao fundo da travessa;

nas manhãs ensolaradas da primavera, já não abre as cortinas para deixar entrar os primeiros raios de sol, que chegavam mais quentinhos por se rebolarem em cima de todos os telhados do casario da encosta;

já não vê aquela neblina que pairava sobre as águas do Tejo nos dias de calor, escondendo "a outra banda" e fazendo aparecer e desaparecer no nada os Cacilheiros;

os olhos cançados, a vista fraca, já não dá para distinguir a sombra alongada dos grandes barcos que lá em baixo no rio, levantam ferro e se fazem ao mar com o por do sol;

Tudo o que a vista alcançava, quando se abria esta janelinha para o mundo, eram sonhos sobre a realidade sobranceira a uma colina de Lisboa;

Já não há sonhos, não há nada que faça valer a pena abrir esta janela, nem mesmo a vista do local bem no cimo de umas das sete colinas d'esta Lisboa que eu amo, que é tão linda que é tão bela...

terça-feira, abril 04, 2006

Fim do Inverno


São as últimas do meu jardim este ano. Estão mesmo a acabar.
O fim destas flores, marca definitivamente o fim do Inverno.
.
E com a chegada dos dias quentinhos e luminosos, arrefece um pouco a veia poética, esmorece um bocado a tendência para os pensamentos profundos e escurece um pouco mais o túnel da introspecção.
Tudo se conjuga para dificultar a produção intelectual, a escrita pela escrita, as palavras que já não dizem o que a gente sente ou só pressente:

"o renascer da vida, nos campos em cujo vestido verde começam a alastrar as manchas de amarelo, vermelho, roxo ou lilás; nos rios renovados pela frescura do degelo e pelas águas de Março; no ar com os intensos aromas de flores novas e o insistente canto do pequeno Chamariz pendurado nos ramos mais altos dos freixos frente à minha janela; as árvores dos frutos de Verão, com os ramimhos carregados de botões de onde começam a despontar as tenras folhas, que virão a ser os elementos mais importantes na respiração e metabolismo da planta e que... e os filhos da mãe dos insectos, pulgões, ácaros, moscas, afídeos e o raio que os parta a todos, começaram já a lixar e lixaram-me esta composição poética que estava a ir tão bem."

segunda-feira, abril 03, 2006

monologamia final


[ensaio final]
A luta vem daí da parte que se incompatibiliza com a outra parte de mim que não presta. Conflito, palavra bonita. Chave. Volto ao subconsciente. Espaço, preciso de espaço. Talvez agora perceba que é espaço exterior a mim para desencadear aí as lutas do meu conflito destas duas minhas duas partes.
Mas como posso eu agora estar a fazer de terceiro e dizer da verdade das duas partes e ao mesmo tempo do resultado ou da ligação ou ponto de união ou ponto de divergência comum, ou secalhar não é comum e daí o desequilíbrio permanente, ou quase.
Já sei, a isto chamaram em tempos introspecção, da mais pura. É algo que não se explica, como o submarino amarelo dos Beattles, do monstro que se devora a si mesmo ou podemos por as coisas às avessas, do outro que se vomita a si mesmo, todos por completo até ficar nada.
De um modo ou de outro o resultado parece ser zero. Mas agora que estava interessante o monólogo começo a ficar cansado, disso não tenho dúvida já. Pelo menos uma coisa consigo assim arranjar e é uma certeza a que me agarro, mas por outro lado..?

(acerca disto, só sei que foi escrito "ao correr da pena", com muito poucas rasuras, sem nenhuma preocupação de forma, com uma caneta de tinta permanente azul, em folhas de papel quadriculado numeradas de 1 a 6 - se teve ou era para ter continuação, não me lembro; quando escrevi, não sei; porque escrevi, não faço ideia; para quem foi escrito, não imagino).
É tudo, não há mais folhas de papel manuscritas - ainda bem porque se acabaram as flores amores-perfeitos.

a Cabana


(mansarda nas Azenhas do Mar)

Naquele tempo tu vinhas de noite
à procura de amor
e eu fumando um cigarro
esperava por ti
na cabana junto à praia
entre as dunas e os canaviais.

Quando chegavas
abrias a porta sem me avisar
e p'la noite fora
ficavas abraçada a mim
na cabana junto à praia
entre as dunas e os canaviais.

Hoje dava dez anos de vida
para te ver voltar
à cabana junto à praia
entre as dunas e os canaviais
onde só o vento,
o mar e as gaivotas,
falam desse amor.

(José Cid)

trilema


Estado
bom estado geral
relação prostituinte controlada
ão
bão
tão
zão
explosão
agressividade recalcada
amarfanhada raiva
tristeza cobardia ódio?
coração
tentação
emoção
devoção
São João e António
Com ou sem São
Duas ideias ilusão
não com pássaros livres
Olhos claros, transparentes
límpidos, luminoso, lindos...
Olhos escuros, escuros,
profundos, fortes, tristes,
atracção do abismo, belos,
Confiança nas sensações

(travel by,
emoções privadas em trio - 198?)

domingo, abril 02, 2006

monologamia XI


[ensaios]

Estava agora a pensar se era útil pensar nisto e chego a este ponto e mais uma redundancia de assunto. Afinal sou um cartesiano; ora merda para quem duvida das próprias dúvidas.
Hoje em dia ser cartesiano é chato, é coisa aflitiva, é bem pior é mesmo monótono, detesto-me também por isso. Não gosto daquilo que eu penso que pensam de mim erradamente, mas também não gosto daquilo que pensam (penso eu) acertadamente de mim.
Afinal não gosto que pensem em mim ou de mim e isso quer dizer que gostava de não existir (para não ser alvo de pensamento de outrem) e nesse caso ainda mais me desprezo porque essa é uma maneira de sentir do verdadeiro filho da puta (o desejo de não ter nascido) segundo diz muito bem o Alberto Pimenta no seu Discurso sobre.
Mas eu concordo com ele ou reconheço-me no que ele diz. Reconheço e recuso a minha parte daquilo que pensamos ser caraterística do filho da puta.

sábado, abril 01, 2006

amanhecer XI


Hoje é Sábado e são 10 Horas da manhã - mentira, como se pode ver perfeitamente, na parede de uma casa no Vale de Colares, este velho relógio de sol (hoje com sol) marca 9 horas em ponto; e está certo!
A nossa mudança (Daylight Saving) virtual para a hora de Verão é que está mal.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...