sexta-feira, março 31, 2006

o Fecho Eclair


Filipe II

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

(ainda não encontrei no meu arquivo de fotografias a imagem adequada para este poema de António Gedeão)

quinta-feira, março 30, 2006

Vaya con Dios


Se llegó el momento ya
de separarnos
en silencio el corazón
dice y suspira:
vaya con Dios mi vida,
vaya con Dios mi amor.

Las campanas de la iglesia
suenan tristes
y parecen que al sonar
también me dicen:
vaya con Dios mi vida,
vaya con Dios mi amor.

(antiga canção popular)

Não tem nada que ver com o famoso grupo de origem Belga que todo o mundo conhece - os "Vaya con Dios", que cantam em Inglês - e ouvi dizer que vão voltar à actividade.

malmaquer azul



E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.

(Ary dos Santos)

quarta-feira, março 29, 2006

Linhas tortas


Não escrevo direito por linha tortas
sempre escrevi em folhas sem linhas
mas hoje encontrei estas linhas escritas
numa velha folha de papel de 25 linhas
Dizia assim:
Não gosta de folhas de papel com linhas
Quem só andou na linha até à 4ª classe
Depois, só na linha do comboio, em viagem.
Até na universidade alinhou mas pouco.
Desalinhado na guerra sem saber porquê
Partiu a linha dos Telefones bastante cedo
E apareceu na RTP ou comunicação sem linha
Foi bom, o iniciado no ecran das 15.625 linhas.
Mas cedo também aqui foi a linha desligada.
Desde então foram muitas as linhas de fuga
Pouco tempo perseguindo uma linha perspectiva
Talvez apenas por uma questão de pilinha
Fica-se por aqui a ligar linhas de terminal IBM
Mais as linhas de pesca anzóis canas e iscas
Com as linhas de água da maré alta e baixa
Às vezes agarrado à linha de cozer remendos
Outra vez com a linha cirúrgica presa ao corpo.
Enfim com a liberdade presa por uma linha
E a palma da mão com muito poucas linhas
Escassas e curtas como é a linha da vida
Assim foi chegando ao fim da linha
Vai finalmente entrar na linha... e na CEE
E para isso é só ir beber um chá de linhaça!
Na ervanária dizem - bom para manter a linha.
E dá Deus agulhas a quem não tem linhas!!!
(luís, 1985)

Janela para ver (11)


Minha varina,
chinelas por Lisboa.
Em cada esquina
é o mar que se apregoa.

Nas escadinhas
dás mais cor aos azulejos
quando apregoas sardinhas
que me sabem como beijos.

(Ary dos santos)

terça-feira, março 28, 2006

Porta feita Janela


... ou janela feita porta.
O Tempo e o Espaço reunidos numa imagem.
Ou um motivo para dissertação de filosofia poética.
Ou o passado aguardando a abertura para o futuro.
Porta - tempo, passado, filosofia;
Janela - espaço, futuro, poesia;
Uma porta fechada, abre na minha imaginação um monte de ideias para escrever:
leva-me normalmente a filosofar, ou a pensar noutras vidas, noutras pessoas, gente dos romances do Eça ou do Zola.
Já o tenho dito - "uma porta é uma viagem no tempo".
Uma janela fechada,
abre no espírito uma esperança,
promessas de viagem no infinito
do espaço que a vista alcança.
"Uma janela é um convite à poesia".

with a man


What's a woman when a man
Don't stand by her side?
What's a woman when a man
Has secret to hide?

She'll be weak, she'll be strong
Struggle hard, for so long

What's a woman when a man
Don't go by the rule?
What's a woman when a men
Makes her feel like a fool?

When it right, turns to wrong
She will try, to hold on
To the ghost of the past
When love was to last
Dreams from the past
Faded so fast

All alone in the dark
She will swear
He'll never mislead her again

All those dreams from the past
Faded so past, ghosts of the past
When love was to last

All alone, in the dark
She will swear cross her heart
Never again
Cross my heart
Never again

(Vaya Con Dios)

as andorinhas


Os putos da minha infância costumavam declamar um poeminha sobre os Passarinhos.
Toda a gente conhece, mas... agora esqueci-me, vou ter que procurar.
A única coisa que me ocorre agora são os "passarinhos fritos" que se faziam antigamente nas tascas de Lisboa e arredores. Deve ser por estar com fome.
Assim não dá para pensar em poesias. Fica para logo à tarde. Vou comer e dormir um bocadinho.
Eu não queria matar mais passarinhos - coitados, já lhes chega o H5NU - mas só me lembrei do poema daquele fado e ditado português:

"Por morrer uma andorinha".

Vivo a vida como dantes
Não tenho menos nem mais
E os dias passam iguais
Aos dias que vão distantes

Horas, minutos, instantes
Seguem a ordem austera
Ninguem se agarre à quimera
Do que o destino encaminha
Pois por morrer uma andorinha
Não acaba a primavera.

segunda-feira, março 27, 2006

Reflectindo mais


Reflexões obnóxias II

Os "intelctuais do computador" são verdadeiros mercenários empenhados numa guerra a favor da uniformização e da monotonia e contra a imaginação e a sensibilidade - e pior que isso, contra si próprios.
As manifestações psico-somáticas, a ansiedade, a angústia, a depressão e a melancolia por fim, são as feridas e mutilações mais frequentes nos combates desta guerra de nervos em que, já não há, nem sequer, tréguas de natal. São 24 horas por dia, de lutas.
Bem que disse o louco Irlandês - mestr Almada Negreiros:
"Cansou-se o mundo a pensar, estafaram-se os sábios a estudar e nunca acharam o remédio... de parar!"

nossas ruas 10


"... OU SILVA DE VÁRIOS APOTEGMAS "

Qualquer homem tem três pátrias:
uma da origem, outra da natureza e outra do direito.
A pátria da origem é aquela em que os nossos maiores foram e viveram; a da natureza é a terra ou lugar onde cada um nasce; a do direito é onde cada um é naturalizado pelas leis ou príncipes, e onde serve, e merece, e costuma habitar.
Quanto à pátria da origem, todos os homens somos do Céu, porque ali está, vive e reina o nosso pai celestial, que vai criando as almas e unindo-as a nossos corpos.

Quanto à segunda pátria, falando geralmente, todos homens somos da Terra; por isso dela falamos tão frequentemente. Neste sentido todos os filhos de Adão somos compatriotas, sem diferença do rei ao rústico.
Mas, além desta pátria do lugar comum, há outra do particular, que é a terra onde cada um nasceu. Quanto esta é mais pequena, tanto une mais os seus filhos, de sorte que parece o mesmo ser compatriotas que parentes, especialmente quando se acham fora dela. E parece-se este amor com a virtude da erva tápsia, da qual escreve Teofrasto que, metida na panela com a carne a cozer, de tal modo conglutina os pedaços dela que, para os tirar, é necessário quebrá-la.

Quanto à terceira pátria, é esta o lugar onde estamos naturalizados, por mercê da república, ou rescrito dos príncipes, ou habitação continua, de modo que Sto. António se chama de Pádua, não sendo senão de Lisboa, e S. Nicolau de Tolentino, sendo de Saint-Angel.
Tomando, porém, isto espiritualmente, onde cada um habita com o espírito e desejo, daí é natural.

domingo, março 26, 2006

Reflectindo


Reflexões obnóxias I

Alienação, é uma verdadeira doença psíquica-neurótica, não é só um termo utilizado nos discursos políticos.
Pois bem: a pior alienação que existe, não é a daqueles que estão encerrados dentro dos muros do Hospital Júlio de Matos.
É antes, esta que circula livremente nas placas de inteligência(?) deste computador e se manisfesta através de não sei quantos terminais.
Eu o digo, porque o percebo nos outros e me sinto atingido às vezes.

Noite Africana

Ilha da Boa Vista, Cabo Verde Cai a noite no barlavento do arquipélago cabo-verdiano.