terça-feira, março 07, 2006

amontoado II


[elevador do Lavra - Lisboa]

poema do abandobno em si (II)

Pensando poder alienar-me totalmente do exterior, para que estava virada a atenção, provoquei uma reviravolta para o interior - não desejando, talvez não; antes, evitando o fulcro do desejo - mas o resultado é obviamente apercebido sem experiência prévia necessária, pois que, assim vou directamente de encontro ao desejo, ou seja, à fonte da atenção, porque ela vem do interior para onde me volto mais intensamente; por tal procuro satisfação no interior para os apelos de si próprio - impossível conseguir resultado, pois são apelos directos a objectivo exterior...

segunda-feira, março 06, 2006

monologamia I


[ensaios I]

Como tu aderiste à minha declaração de esperança
Não podia imaginar
Porque sou complicado, isto é, tenho maneira de rebuscar
na simplicidade das evidências aspectos impensáveis
mas possíveis
Foi porque alguém me disse muito fácil, clara, simples
e despreocupadamente que gostavas de mim!
Sim, de verdade, que sofrias!

amontoado I


[elevador do Lavra - Lisboa]

poema do abandono em si (I)

Percorro fustigado na desesperança do nada um campo desprovido de sépalas licorosas onde só resta um vago sabor de não sei que docemente penetrante, insólito e imaturo, mas forte e constante na insinuação que demanda os meandros da inconsciência para enfim roer e corromper todo o estado de equilíbrio forçado imposto por não só querer não desejar mas ainda mais compulsivo na desclassificação personalista que advém da sobriedade impessoal, impeditiva do verdadeiro fortalecimento do carácter que deveria sempre prevalecer de encontro aos investimentos sinuosos, acusatórios e prometedores de mais incomparáveis libelos perdoados na preferência mística do encontro com o real interessante, desde logo perdido.

domingo, março 05, 2006

Diferente



Penso em ti
e
fico bem ou mal...
Não te encontro nunca
com a mesma emoção

Sempre me causas
diferentes estados
de ser, de espírio, de sentimentos...

Inquieto, inconstante ou infeliz
Importante, incompleto, indiferente, interessado (sempre)
Mas que bom
que me fazes sentir ser
aquilo que gosto de ser.

Diferente sempre!

sábado, março 04, 2006

a silhueta



Só por ti aperfeiçoei os meus sentidos
todos externos e internos e aprofundei
para exteriorizar a sensibilidade que
desconhecia cá dentro.

Os meus olhos cansados, revistam
todas as sombras do passado
em movimento rápido para o
entardecer, procurando uma
silhueta, uma luz ou só um
reflexo por outros olhos enviado.

(sentidos sem dono)

Autoretratos 1975



A perfeição das imagens
que correm no meu pensamento
nada tem que ver com
a realidade imaginada pela consciência.

São tudo, uma e outra
frutos de uma estratégia de sobrevivência
ou de sobrevida
muito para além da aparência...

(quem é que escreveu,
não quero mesmo saber,
se calhar até fui eu,
e acabei por esquecer...)

amanhecer VII


Porque hoje é Sábado, eu devia colocar aqui a já tradicional imagem do raiar do sol matinal sobre a varzea de Colares.
Desta vez, fui dar a voltinha para outro lado e a imagem do sábado de manhã, captada entre a Praia das Maçãs e as Azenhas, mostra uma conhecida vivenda que não passa despercebida a quem por aqui passa.

sexta-feira, março 03, 2006

para Sofia Flor


Bem lindo o nome Sofia, de etimologia Grega, que significa Sabedoria.
Para mim soa tão bem como Leonor, não sei porquê, gosto muito de um e de outro.
Talvez porque tive uma colega de escola que eu admirava e nunca esqueci, chamada Leonor.
E porque tive uma colega de trabalho nos últimos tempos, que muito considerei, chamada Sofia.
A Sofia que eu conheci, era incomparavelmente mais bela que a Leonor.

Um destes dias, Maria vamos inventar e publicar aqui um poema para a tua Sofia... e parabéns, à Mãe Inês.

nossas Ruas 6


(...
Portanto, estou só.
E, no entanto, quanto sonho me habitou de me entender nos outros, de lhes dar as mãos em aliança, de ampliar a minha presença na sua presença fugitiva. Só não sei ajuizar, definitivamente, sobre o valor da solidão ou da comunidade.
Tal como do suicídio.
É cobarde, é corajoso, o que frontalmente se mata? Assumir… Será mais corajoso assumir a cobardia do que não assumir a coragem? Porque há o corajoso que se não assume, que o é só por cobardia.
Sei que vim para falar e ouvir.
Só que o modo de o fazer, a voz a transmitir e a escutar se me mudaram. Ou não bem isso: tornaram-se mais exigentes, quiseram ressoar ao que em nós é já silêncio.
...Vergílio Ferreira)

Casinha e Azulejos


(Casinha numa calçada de Lisboa)

No conforto pobrezinho do meu lar,
Há fartura de carinho.
A cortina da janela é o luar,
Mais o sol que bate nela...
Basta pouco, poucochinho para alegrar
Uma existência singela...
E só amor, pão e vinho
E um caldo verde, verdinho
A fumegar na tijela.

Lisboa especial


No tempo em que, disse e muito bem a Spuk:
"Eu era feliz e não sabia",
visitei pela primeira vez neste lugar há um montão de anos.

Aqui fica uma imagem, que não saiu bem mas, se não é inédita, é pelo menos diferente. A minha Lisboa, vista de um jardim e miradouro meio escondido e pouco conhecido - o Jardim do Torel, ao cimo do Elevador do Lavra. O sítio ainda é uma ilha de sossego bem por cima do centro da cidade.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...