segunda-feira, fevereiro 06, 2006

a Eternidade


A Eternidade

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

(Rimbeau, tradução de A. Campos)

Novo Blog


  • A Imagem para o novo blog a nascer algures na blogosfera.
  • O Nome (?) não terá nada a ver com o Objectivo.
  • O Objectivo está bem definido:
"Reflectir os estados de espírito que acompanham a metamorfose de um ser humano razoável, numa outra coisa que nem mesmo o próprio sabe muito bem o que será. Descrição das reais situações ou factos que estão na origem dessa transformação e respectivas consequências..."
  • A Objectiva será a do nosso Fotociclista.

domingo, fevereiro 05, 2006

To a Lady


With The Poems of Camoëns

This votive pledge of fond esteem,
Perhaps, dear girl! for me thou’lt prize;
It sings of Love’s enchanting dream,
A theme we never can despise.

Who blames it but the envious fool,
The old and disappointed maid;
Or pupil of the prudish school,
In single sorrow doom’d to fade?

Then read, dear girl! with feeling read,
For thou wilt ne’er be one of those;
To thee in vain I shall not plead
In pity for the poet’s woes.

He was in sooth a genuine bard;
His was no faint, fictitious flame.
Like his, may love be thy reward,
But not thy hapless fate the same.

(Lord Byron)

sábado, fevereiro 04, 2006

e parou


(pôr-do-gato ao sol-no-Tejo)
aperfeiçoar, afeiçoar, o que falta, o resto, o tempo que não tem paragens, não ficamos à espera de nada mais que tão somente uma lenta agonia que suporta a criatividade na estação das palavras que me saiem pela sensação do que entra pelos sentidos semi despertos de todo o resto que rodeia esta incdescritível actividade extra-sensorial que liga os sons às palavras que se formam no labitinto da imaginação e vão fluindo, saltando para as mãos que traduzem e... parou, parou, não dá mais, fiquei trespassado, chiça, oiço a Bábá Guimarães, não, não suporto, não aguento, é demais a intelectualite aguda dessa mulher!!!
(esta era para amanhã, mas acabou assim, mesmo antes de nascer)

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

gosto de mar



Gosto de barcos, gosto do mar,
gosto de fotografar, fixar e rever
as imagens, as curvas das ondas,
o recorte na linha do horizonte,
as chaminés, os mastros, as velas,
das silhuetas que transportam vida
sobre as águas, ou a morte afogada
em salgada água ou em negro alcatrão.

Gosto dos rios, ainda mais que tudo,
gosto de subir às nascentes e partir
percorrendo na descida até à foz
aldeias, vilas e cidades à beira-rio.
Depois, chegar ao mar e esquecer
a terra, a fonte, a serra, o monte
e ficar a olhar o infinito horizonte
onde o magnífico sol vai esmorecer.

(poesia livre, sem dono, sem rima, sem métrica, com sentido, eu escrevi)

a Roda


(A Roda do Tempo)

A profunda proposta filosófica do post anterior, deixou a minha cabeça para aqui às voltas, à roda, pensamento amarrado àquelas ideias:
  • A nossa ligação à vida vai enfraquecendo com o tempo - física, fisiológica, material.
  • A nossa ligação ao passado vai fortalecendo com o tempo - mental, psíquica, espiritual.
As coisas esquisitas que o ser humano* consegue fazer... a isto chama-se reflexão, a gente vira o olhar do pensamento para dentro de nós e recebe um reflexo que depois "bota" cá para fora, falando, escrevendo, pintando ou esculpindo (não é cuspir).
(*) não sabemos se os cães, ou os gatos, os crocodilos, as avestruzes ou até mesmo as vacas, as cabras e as mulas, também sabem reflectir; o que sabemos é que eles não conseguem transmitir cá para fora, para nós, o resultado dessa actividade; não falam, não escrevem, não pintam, não esculpem.
Pois... esculpem lá esta seca, vou reflectir para outro lado.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

as Amarras


(Contradições, que se amarraram ao meu pensamento quando meditei sobre esta imagem)

O Tempo,
vai corroendo até à destruição total, as amarras que nos prendem à vida.

O Tempo,
vai encadeando longas filas de amarras que nos prendem ao passado.

a bordo


Lá vou eu a bordo do Marvila
a "fazer-me ao mar", como
dizem os avieiros do Tejo.
Este rio que a gente vê hoje
manhã de neblina levantada
tem ondas, fundões, areeiros,
baixios, correntes e agueiros.

Tem dias pintados de cinzento
céu tombado sobre as águas
que parecem mortas, paradas,
porquando não se vê água nem ar.
E o tempo pára, a vida espera,
no espelho de água e nevoeiro
moldado nas curvas da falua
onde morava aquele pescador.

A mulher aconchegou o toldo,
lona e canas, para tapar o lume
e aquecer a panela com a janta.
Dentro daquele pequeno barco
amarrado no tronco do salgueiro
a meio da Vala de Salvaterra
abrigado do corropio das ondas
empurradas pela maré enchente
salpicadas de vento do fim de tarde.

A brisa que vem do mar, sobe o rio
carrega o sal, o iodo, a humidade cresce
na subida rápida sem obstáculos.
Um rio como o Tejo, enquanto livre,
plano, sem barragens, tempera a terra.
É sistema de ar condicionado do interior,
frescura e humidade no estiolar do campo.
Aporta o ar menos frio ao inverno da lezíria
e na mistura das águas cresce mais vida.

E a vida, costumava dizer a minha Mãe:
- A vida é mais curta que comprida!!!

(recordações soltas de um Diário de Bordo, nunca escrito,
em 5 dias de navegação desorientada de Vila Franca a Santarém e volta)

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

a sorte



Aujourd'hui je suis le spectateur au stade de football, parmi 50.000 autres, et le petit oiseau a choisi ma tête pour laisser tomber la merde.

É preciso galo, 50.000 espectadores, 22 jogadores, 1 árbitro, 2 juízes auxiliares e o cabrão do pássaro escolheu a minha cabeça para cagar.

em frente


(os Navegadoreso, o Tejo, o Cristo-Rei)

Vamos em frente que atrás vem gente!
(Spuk, disse)

Grande força tem esta frase.

Tudo bem


agora
quase tudo sob controlo
está a quase a passar
mais uma fase difícil.
-
vamos lá falar a sério:
- quem tem acompanhado os escritos deste Blog e não me conhece, ou até mesmo quem me conhece menos mal, é capaz de ficar a pensar que eu sou maluco.
Como é sabido, é normal todos os malucos negarem que o são, por isso garanto que não digo que não sou maluco, mas... para lá caminho e pelo andar da carruagem, não vai demorar muito a chegar o dia em que não consiga dizer coisa com coisa.
Mas, nada de aflições, as melhores previsões apontam para um agravamento desta situação, só lá para o final do próximo ano ou talvez mesmo só em 2008.
... continua

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...