sexta-feira, janeiro 06, 2006

quinta-feira, janeiro 05, 2006

a Saúde


Si vous ne vous sentez pas bien... faites vous sentir par un autre.

Quand on a la santé, c'est pas grave d'être malade.


(Francis Blanche)

Tormentos


A Memória é o Maior Tormento do Homem

(Friedrich Nietzsche)
Este filósofo, que foi... resumindo, um grande sacana, ao desenvolver e publicar uns conceitos esquisitos de humanismo que viriam a servir de molde para a política básica do Nacional Socialismo antes e durante a 2ª Grande Guerra, com os nefastos resultados que todos sabemos.

Mas desta vez, a citação até faz muito sentido:
  • Durante todo ano que passou, a recorrente recordação do 3 de Outubro, foi um tormento para mim. Note-se que o tormento é recordar, mas se não tivesse memória, tinha esquecido, já não recordava, por isso a causa do tormento está na memória.
  • Quando era estudante e não me conseguia lembrar daquilo que tinha aprendido, e que devia estar na memória, mas parece que afinal não estava, tinha esquecido. Aqui o tormento era não recordar e chumbar no exame, por isso a causa do tormento estava na memória ou na falta dela.
  • O tema dos azulejos na fotografia recorda-me o tormento que passei, quando tive que ler, analizar, interpretar, etc, "Os Lusíadas" de Luis de Camões, num exame final no liceu. Lembro-me tão bem o que eu sofri em meia hora - o suor escorria pelo meu tronco como água e a minha boca secou durante a leitura do episódio do "Cabo das Tormentas" - um verdadeiro tormento.
  • E recordar os estudos e a universidade também é tortura - por lembrar o meu curso inacabado... esteve quase!

Aborrecimento


O Tédio é a Raiz de Todo o Mal

Não admira, pois, que o mundo vá de mal a pior e que os males aumentem cada vez mais, à medida que aumenta o tédio. A história deste pode acompanhar-se desde os primórdios do mundo:
Os deuses estavam entediados, pelo que criaram o homem.
Adão estava entediado por estar sozinho, e por isso foi criada Eva.
Assim o tédio entrou no mundo e aumentou na proporção do aumento da população.
Adão aborrecia-se sozinho, depois Adão e Eva aborreceram-se juntos, depois Adão e Eva e Caim e Abel aborreceram-se em família;
depois a população do mundo aumentou e os povos aborreceram-se em massa.
Para se divertirem congeminaram a ideia de construir uma torre tão alta que chegasse ao céu. Esta ideia, por sua vez, é tão aborrecida como a torre era alta, e constitui uma prova terrível de como o tédio se tornou dominante.

(Soren Kierkegaard)

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Horizontes


Alarga os teus horizontes

Por que é que combateis? Dir-se-á, ao ver-vos,
Que o Universo acaba aonde chegam
Os muros da cidade, e nem há vida
Além da órbita onde as vossas giram,
E além do Fórum já não há mais mundo!

Tal é o vosso ardor! tão cegos tendes
Os olhos de mirar a própria sombra,
Que dir-se-á, vendo a força, as energias
Da vossa vida toda, acumuladas

Sobre um só ponto, e a ânsia, o ardente vórtice,
Com que girais em torno de vós mesmos,
Que limitais a terra à vossa sombra...
Ou que a sombra vos torna a terra toda!
Dir-se-á que o oceano imenso e fundo e eterno,
Que Deus há dado aos homens, por que banhem
O corpo todo, e nadem à vontade,
E vaguem a sabor, com todo o rumo,
Com todo o norte e vento, vão e percam-se
De vista, no horizonte sem limites...
Dir-se-á que o mar da vida é gota d'água
Escassa, que nas mãos vos há caído,
De avara nuvem que fugiu, largando-a...
Tamanho é o ódio com que a uns e a outros
A disputais, temendo que não chegue!

Homens! para quem passa, arrebatado
Na corrente da vida, nessas águas
Sem limites, sem fundo - há mais perigo
De se afogar, que de morrer à sede!

(Antero de Quental)

a Memória


A Melhor Parte da Nossa Memória está Fora de Nós

As recordações de amor não constituem uma excepção às leis gerais da memória, também ela regida pelas leis do hábito. Como esta enfraquece tudo, o que mais nos faz lembrar uma pessoa é justamente aquilo que havíamos esquecido por ser insignificante e a que assim devolvemos toda a sua força.
A melhor parte da nossa memória está deste modo fora de nós. Está num ar de chuva, num cheiro a quarto fechado ou no de um primeiro fogaréu, seja onde for que de nós mesmos encontemos aquilo que a nossa inteligência pusera de parte, a última reserva do passado, a melhor, aquela que, quando se esgotam todas as outras, sabe ainda fazer-nos chorar.


La meilleure part de notre mémoire est hors de nous.

Or les souvenirs d'amour ne font pas exception aux lois générales de la mémoire, elles-mêmes régies par les lois plus générales de l'habitude. Comme celle-ci affaiblit tout, ce qui nous rappelle le mieux un être, c'est justement ce que nous avons oublié (parce que c'était insignifiant, et que nous lui avons ainsi laissé toute sa force).
C'est pourquoi la meilleure part de notre mémoire est hors de nous, dans un souffle pluvieux, dans l'odeur de renfermé d'une chambre ou dans l'odeur d'une première flambée, partout où nous retrouvons de nous-mêmes ce que notre intelligence, n'en ayant pas l'emploi, avait dédaigné, la dernière réserve du passé, la meilleure, celle qui, quand toutes nos larmes semblent taries, sait nous faire pleurer encore.

(Marcel Proust)

Doente


Estou doente, bastante doente, acho eu.
Não sei de quê, mas sei porquê, talvez sim.
Doente de saudades, daquele mar, reflexo azul do céu.
E as veredas sobre as pedras da falésia têm saudades de mim.

(por: um Fotociclist@2005)
... de 2005 porque que ainda não acabou a travessia da ponte para 2006

terça-feira, janeiro 03, 2006

Outra Paz


A paz do coração é o paraíso dos homens.
(Platão)

Alba Plena 2


Variedade de Camélia Japónica - Alba Plena

Hoje subi ao meu terraço
pela milésima vez
e extasiei-me de astros
de música divinal
sim... podemos ser um Deus
do alpendre da nossa casa...
ou num cantinho essencial...
escutar o amor da Natureza
multiplicar estrelas por luar
viciar-me em ar puro
que o mar tem para dar...

(Carlos Silva, Caldas da Rainha)

Nossas Ruas 2


... e a pendida fronte ainda mais pendeu
e a sonhar com Deus, com Deus adormeceu.
(Augusto Gil, 1906)

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Nossas Ruas 1


- Oh, mãe, Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, e com um tão pesado mal, e que tanto queria sarar!
- Oh, meu filho, como te posso deixar? Longe são as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce Rabi. Oh filho! talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O céu o trouxe, o céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes.
De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:
- Mãe, eu queria ver Jesus...
E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo Jesus disse á criança:
- Aqui estou.

Migrantes a mais

Sal Rei, Boa Vista (CV) Os ventos e as correntes marítimas oriundos do continente africano trazem para esta ilha, o ar quente e seco e ...