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sexta-feira, maio 28, 2010

a ver navios 104


Eu não sei, que tenho em Évora
Que de Évora, me estou lembrando.
E ao passar o rio Tejo, agora
As ondas me vão levando.
(poesia popular)

domingo, maio 23, 2010

a ver navios 103



Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
é urgente destruir certas palavras.
odio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

(Eugénio de Andrade)

segunda-feira, maio 17, 2010

a ver navios 102



Gosto dos rios, ainda mais que tudo,
gosto de subir às nascentes e partir
percorrendo, na descida até à foz,
aldeias, vilas e cidades ribeirinhas.
Depois, chegar ao mar e esquecer
a terra, a fonte, a serra, o monte
e ficar a olhar o infinito horizonte
onde o magnífico sol vai esmorecer.


(Isto digo Eu, que sou um bocado esquisito, ou como dizem os ingleses "peculiar")

segunda-feira, maio 10, 2010

a ver navios 101



Gosto de barcos, gosto do mar,
gosto de fotografar, fixar e rever
as imagens, as curvas das ondas,
o recorte na linha do horizonte,
as chaminés, os mastros, as velas,
das silhuetas que transportam vida
sobre as águas, ou a morte afogada
em salgada água ou em negro alcatrão.


(..isto era Eu a falar!)

terça-feira, maio 04, 2010

a ver navios 100

Sem saber porquê
acordo a meio do rio
de volta à minha cidade
a luminosa capital
em viagem para Lisboa
a minha terra natal
vindo da outra banda
o tempo está para o frio
nem uma gaivota voa
as colinas da saudade
na margem que mal se vê

saiu mal esta poesia
por vezes acontece
muitas vezes mesmo
não faz mal, é natural
tal como a vida, a poesia
tem marés - nem sempre anda
a favor da corrente
às vezes pára!
Pára e fica...

quinta-feira, abril 01, 2010

a ver navios 98


Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.


(Fernando Pessoa)

quarta-feira, março 24, 2010

a ver navios 97

O cais, a tarde, a maresia entram todos, e entram juntos, na composição da minha angústia.
As flautas dos pastores impossíveis não são mais suaves que o não haver aqui flautas e isso lembrar-mas.



(Bernardo Soares, 1920/30)

domingo, março 21, 2010

a ver navios 96



«A vida afectiva é a única que vale a pena.
A outra, apenas serve para organizar na consciência o processo da inutilidade de tudo.»


(Miguel Torga)

segunda-feira, março 15, 2010

a ver navios 95



SE UM DIA O CACILHEIRO FOR EMBORA
FICA MAIS TRISTE O CORAÇÃO DA ÁGUA
E O POVO DE LISBOA DIRÁ COMO QUEM CHORA
POUCO TEJO, POUCO TEJO E MUITA MÁGOA.

("O CACILHEIRO", de José Carlos Ary dos Santos)

terça-feira, março 09, 2010

a ver navios 94



Tejo, meu Tejo, meu rio
Que preservas na bruma
Memórias de outro tempo
História de um nobre povo
Glória desfeita em espuma
Que a bordo de cascas de ovo
De velas enfunadas ao vento
Correu o mundo de fio a pavio

Tejo, meu Tejo, meu rio

segunda-feira, março 01, 2010

a ver navios 93


Puro, suave e rico tejo
com as côncavas barcas que nadando
vão pondo em doce efeito o seu desejo
umas com brando vento navegando
outras com leves ramos brandamente
as cristalinas águas cantando.


(Luís de Camões)

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

a ver navios 92

No intervalo de mais uma voltinha a acelerar o aspirador cá de casa,
vou à janela espreitar a nesga de mar que, os prédios erguidos no meu horizonte, já não me deixam abarcar.
No princípio, era assim, podia olhar o mar da minha janela. Só tinha direito a um vislumbre da foz do Tejo, onde ocasionalmente, com o "zoom" da máquina fotográfica no máximo, conseguia captar a passagem de um navio, se fosse daqueles mesmo grandes.
Era uma mania, era, pois! Um vício quase diário, olhar ao longe o meu bocadinho de mar, ainda que, representado por apenas uma estreita faixa entre o céu pintado de azul forte (ou como o de hoje, carregado de escuras núvens de chuva) e o pano de chão esverdeado do vale do Jamor.

Era um prazer. Escolhi morar nesta casa por causa da vista daquela janela virada p'ró mar -  um pequeno privilégio.
Agora, já não dá p´ra ver nada de jeito, mas ainda assim, não se apagou em mim, o impulso que me faz, de quando em vez, chegar à janela e olhar... para nada.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

a ver navios 91

No barco vou de partida
A correr mundo, à aventura.
Adeus cidade da minha vida
Espera por mim ó meu amor
Nesta viagem de loucura
Muito p'ralem do Equador.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

a ver navios 90

Agora temos outro sítio para ver navios.

É um sítio "porreiro" na Internet;
Chama-se "O NÁUTICO" o novo sítio;
Responsável e autor:
Rui Salvador, um marinheiro "Blogador" da Porcalhota.

quarta-feira, novembro 25, 2009

a ver navios 89



«[..] Fôra um dia d'Inverno suave e luminoso, as duas janellas estavam ainda abertas. Sobre o rio, no céu largo, a tarde morria, sem uma aragem, n'uma paz elysea, com nuvensinhas muito altas, paradas, tocadas de côr de rosa; as terras, os longes da outra banda já se iam
affogando n'um vapor avelludado, do tom de violeta; a agoa jazia liza e luzidia como uma bela chapa d'aço novo; e aqui e alem, pelo vasto ancoradouro, grossos navios de carga, longos paquetes estrangeiros, dois couraçados inglezes, dormiam, com as mastreações immoveis, como tomados de preguiça, cedendo ao affago do clima doce..[..]»


(Eça de Queirós)

Finalmente - também já não era sem tempo - andei a ler uns bocadinhos de "Os Maias".

segunda-feira, novembro 16, 2009

a ver navios 88



Fado de Vila Franca

Com o Colete Encarnado
Jaqueta e meia branca
Campinos toiros e fado
Esperas de gado em Vila Franca.

Oh terras do Ribatejo
Cheias de sol e alegria.
Oh gente sem ambições
Que dá lições de valentia.

Oh terras de Vila Franca
Onde tanta e tanta vez
Sem temer uma colhida
Se arrisca a vida com altivez!


Voltei ao velho cais do Jardim de Vila Franca de Xira.
Fiquei ali sentado a olhar os barcos no Tejo e a recordar os momentos de grande agitação, de intensa euforia, (de "adrenalina", como se diz hoje) das "largadas" nos dias da festa do Colete Encarnado.
«Uma ou duas vezes, pendurado na portada de uma janela ou escarranchado num poste de iluminação pública, escapei à justa, de levar uma marrada, ou uma cornada.»
Enquanto revivia mentalmente aquelas antigas imagens e emoções, veio-me à memória um fado. Velho, talvez tão velho quanto eu...
Trauteei a música - ainda me lembro bem - mas a letra (saquei da Net) só me lembrava da última estrofe.

segunda-feira, novembro 02, 2009

a ver navios 87



Esse outro eu que havia em mim,
Era como um barco vogando
No mar sem tempo, sem fim,
Ao sabor da brisa, vento brando.

quarta-feira, outubro 28, 2009

a ver navios 86



Só isso; mais nada;
estou apenas a ver;
olhar deitado sobre o mar;
pensamentos enterrados;
nada mais se passa;
tudo vai na volta da maré;
não penso no que penso;
...
não penso mesmo;
deixo fugir as ideias;
vejo-as passar à frente;
vão deitar-se na areia;
de mistura com o sal;
átomos da vida.

quinta-feira, outubro 15, 2009

a ver navios 85


Estou aqui deitado há duas horas, à espera de ondas.
Ondas que me permitam "escorregar" um bocadinho em cima da prancha.
Mas acho que não vai dar. Nem mesmo a passagem deste grande navio, vai fazer agitar um bocado estas águas quase paradas, da praia de Carcavelos.
Hoje, este Mar da Foz do Tejo mais parece o lago dos barcos do Campo Grande, em dias de muita gente a navegar - tem ondas de meio metro.
Por isso, não me vou levantar, nem para tirar a fotografia. Vou-me deixar ficar por aqui estendido a recarregar as baterias deste corpo, velha carcaça, aproveitando os raios do magnífico Sol bem quentinho deste Outono especial do nosso "rico" Portugal.
E que se lixe o resto... que me chamem "calão" ou outros nomes ainda piores. Afinal de contas, não sou o único - pelo que vejo aqui em redor, esta praia está cheinha de gente e não são nada velhos reformados como eu!

Migrantes a mais

Sal Rei, Boa Vista (CV) Os ventos e as correntes marítimas oriundos do continente africano trazem para esta ilha, o ar quente e seco e ...