Eu não sei, que tenho em Évora
Que de Évora, me estou lembrando.
E ao passar o rio Tejo, agora
As ondas me vão levando.
(poesia popular)


O cais, a tarde, a maresia entram todos, e entram juntos, na composição da minha angústia.
As flautas dos pastores impossíveis não são mais suaves que o não haver aqui flautas e isso lembrar-mas.
(Bernardo Soares, 1920/30)


No princípio, era assim, podia olhar o mar da minha janela. Só tinha direito a um vislumbre da foz do Tejo, onde ocasionalmente, com o "zoom" da máquina fotográfica no máximo, conseguia captar a passagem de um navio, se fosse daqueles mesmo grandes.Era uma mania, era, pois! Um vício quase diário, olhar ao longe o meu bocadinho de mar, ainda que, representado por apenas uma estreita faixa entre o céu pintado de azul forte (ou como o de hoje, carregado de escuras núvens de chuva) e o pano de chão esverdeado do vale do Jamor.
Era um prazer. Escolhi morar nesta casa por causa da vista daquela janela virada p'ró mar - um pequeno privilégio.Agora, já não dá p´ra ver nada de jeito, mas ainda assim, não se apagou em mim, o impulso que me faz, de quando em vez, chegar à janela e olhar... para nada.
No barco vou de partida
A correr mundo, à aventura.
Adeus cidade da minha vida
Espera por mim ó meu amor
Nesta viagem de loucura
Muito p'ralem do Equador.
É um sítio "porreiro" na Internet;
Chama-se "O NÁUTICO" o novo sítio;
Responsável e autor:
Rui Salvador, um marinheiro "Blogador" da Porcalhota.
Voltei ao velho cais do Jardim de Vila Franca de Xira.
Fiquei ali sentado a olhar os barcos no Tejo e a recordar os momentos de grande agitação, de intensa euforia, (de "adrenalina", como se diz hoje) das "largadas" nos dias da festa do Colete Encarnado.
«Uma ou duas vezes, pendurado na portada de uma janela ou escarranchado num poste de iluminação pública, escapei à justa, de levar uma marrada, ou uma cornada.»
Enquanto revivia mentalmente aquelas antigas imagens e emoções, veio-me à memória um fado. Velho, talvez tão velho quanto eu...
Trauteei a música - ainda me lembro bem - mas a letra (saquei da Net) só me lembrava da última estrofe.
Hoje, este Mar da Foz do Tejo mais parece o lago dos barcos do Campo Grande, em dias de muita gente a navegar - tem ondas de meio metro.E que se lixe o resto... que me chamem "calão" ou outros nomes ainda piores. Afinal de contas, não sou o único - pelo que vejo aqui em redor, esta praia está cheinha de gente e não são nada velhos reformados como eu!
Por isso, não me vou levantar, nem para tirar a fotografia. Vou-me deixar ficar por aqui estendido a recarregar as baterias deste corpo, velha carcaça, aproveitando os raios do magnífico Sol bem quentinho deste Outono especial do nosso "rico" Portugal.
Sal Rei, Boa Vista (CV) Os ventos e as correntes marítimas oriundos do continente africano trazem para esta ilha, o ar quente e seco e ...